terça-feira, 25 de agosto de 2015

A menina dança

 


Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Só entro no jogo porque 
Estou mesmo depois 
Depois de esgotar
O tempo regulamentar

De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!

No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança

E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança

Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer

Nascer o que há!

Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos



(Novos Baianos - Baby Consuelo cantando).

Enquanto corria minha barca.

Quem dera ela, de dores e valores, dona das próprias brigas. Tudo virado, pés e abalos. Quem é que entraria no jogo? Perguntas e desaforos. Não leve essas coisas pra casa, não leve pra dentro de si, feche os olhos e não, não mais. Dói.
Virei-me era eu novamente. Dor. Aonde estava? Por onde andaste, eu lírico, que me deixaste tão só e desabitada? E pra onde que te vais? Esvazia-me a mente e me entrega novemanete aos braços sangrados de cor e pavor dessa imensa casa chamada alma. Me dê o meu lugar, por favor. 
Peço com a educação de quem me criou. Viro-me e já está lá, aos apelos, grudada nos pelos, naqueles pelos viscerais. Desdemona? Cleópatra? Nefertite? Aonde estão meus batons, carmim, bordô, magenta... Aonde vão todas elas que me habitavam, aonde vão quando eu não as vejo? 
E a noite? Ela dói.
Dói aquela coisa profunda, animalesca e orgânica, me transforma subitamente em vegetal. Minha carne pulsa, toda ela é vida, vida-morta, já não pareço um ser, sou só poeiril, virgem e massacrada. Sou novamente recém-nascida. Agora, dessa forma, posso chorar, pois posso dormir, pois posso apenas olhar e sorrir e trazer a alegria, a pueiril alegria que deixei de ter lá pelos 20 e poucos. 
Grita, porra, abra as portas da casa e berre, corre no sereno, ruflem os tambores, ela vai saltitar em uma poça de lama sem medo de se emporcalhar, olhem, fotografem, ela vai andar descalça, vejam que inovador, ela sabe pular o muro. Quais bizarrices a aguardam nesse mundo, menina moça. Quantas páginas assombrosas irão acrescentar no seu percurso? 
Sobretudo, lembre-se: não se jogue, vire-se ao lado, coma-lo por completo (o medo), vire-o de cabeça para baixo, vire-se de costas para ele, ande na direção oposta, nade contra a corrente, seja além. Veja além. Queira além. 
Chore. Chore agora. Sinta. Sinta. Sinta. 
É dor? Dor de verdade? É ela? 
Que bom... vá dormir agora.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Criatividade:

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?


(Metade - Adriana Calcanhotto).

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sobre a importância de não ser ninguém.

Existem momentos decisivos na vida, que por vezes nos sentimos ternos, outros eternos. 
Aprende-se que, ao nascer e habitar este planeja, deve-se desempenhar um bom papel na vida e os que não o atigem, são fracassados. Ninguém quer ser ou estar perto de um fracassado.
A intolerância com a individualidade do outro gera um desconforto geral. Ninguém gosta de saber que existem humanos mais capazes do que você. Mas a verdade é que não se sabe ainda o que acontece na mente humana, a verdade é que são essas transmições de informação que são tão rápidas e eficazes em seus papéis evolutivos que nos sentimos biológicamente impulsionados a trabalhar e a combater o fracasso.
Por vezes sentimos o cansaço. Por vezes nem tentamos mais, Por vezes pensamos que o melhor seria nem estar ali. Confesso que conheço poucas pessoas que autoplocamam-se perdedoras. Agora sou do time, sou dessas. Aprendi que a competência é um mito e que eu não sou obrigada a surpreender a todos, a todo momento. 
Acontece que era isso que me impulsionava, era isso que me dava um gostinho a mais para continuar desafiando a vida. Agora só restam mentiras passadas, vontades encerradas e dor. A dor de não me sentir mais plena em criatividade, de não visualizar as nuances de cores caleidoscópicas, de não sentir nem o vento no rosto como eu sentia, nem a grama e a terra nas minhas mãos. Eu nem lembro como é ter vontade de fazer essas coisas.
Eu reservava um tempo só para refletir sobre a vida, eu respirava e respeitava o meu corpo e a minha mente. Agora eu me sinto uma preguiçosa, depravada, corcunda, dolorosa, ranzinza, vegetal, cansada de tentar ser o que na verdade eu não sou.
Hoje eu vejo que eu não preciso mais tentar. Eu não preciso agradar ninguém, eu tenho que me agradar. Mas a vida adulta chega e você precisa de um emprego seguro e uma vida consolidada, precisa batalhar. Eu acho que a vida normal não é para mim. Não me adapto aos bons costumes e muito menos à convivência social.
Um abacaxi tem mais personalidade do que eu. Uma porta tem mais utilidade do que eu. Uma maçaneta é mais bem resolvida do que eu. Aonde está a consciência madura que a idade nos prometia? Esses vinte anos estão começando com grandes novidades e a maior delas é a que me faz lembrar o porquê de eu estar aqui desse jeitinho que estou agora. Eu tava pensando, eu não me lembro mais porque eu escolhi esse curso, sendo que eu nem sabia direito o que era. Eu não me lembro mais do que eu fazia pra ter tanta vontade de pintar, tocar, escrever. 
Quando comecei o blog, me sentia inspirada a ponto de explodir. Eu devorava o teclado do computador, ouvia músicas lindas, desenhava todos os dias. Hoje, eu como, durmo, acordo, vou ao trabalho, volto, assisto TV, rumino, engulo de volta, rumino mais um pouco... essa vida bovina está para me explodir. Mesmo tendo tempo de sobra, não me resta vontade de saber fazer as coisas. Eu só quero encostar e ficar ali. Morosa, branca, pálida, olheiras, pelos, dores. Às vezes eu sinto vontade de contrair alguma coisa grave e não poder mais sair de casa. Existe um nome pra isso? (além de psicopatia?). Não me entenda mal, não faço porque eu quero. 
Eu tento.
Mas o mato está encobrindo a minha grama e eu não estou conseguindo tirar esse mato sozinha. Eu preciso de ajuda, senão logo minhas plantas não vão conseguir ver o sol e morrerão. Elas morrerão. As flores morrerão e eu não posso deixar isso acontecer. Eu simplesmente não posso deixar que as flores morram. Eu tento regá-las, tento podá-las e colocar adubo, mas se não tirar o mato, não adianta nada. O mato é mais forte e nasce sem que tenhamos que semeá-lo. Ele cresce e encobre, ele penetra e machuca as plantas. 
Queria arrumar a bicicleta vermelha, arrumar o jardim, ler os 5 livros que peguei emprestado e terminar os 3 que comecei, pintar aquela tela que está encostada há 4 anos, queria terminar as coisas que comecei. Queria continuar as coisas que comecei. Qual será o meu legado? 
"Ah, ela era batalhadora, coitada, mas não tinha tempo nem pra ver os amigos", "poxa, ela tinha talento, lembro de uns desenhos que ela fazia na escola... pena que não faz mais", "que coisa! Ela tinha tantos planos pra quando tivesse tempo, viveu pra poder se sentir tranquila, trabalhou para poder fazer o que queria e acabou que nem fez nada".
Eu não quero essa história pra mim. Eu me recuso a fazer parte do plano de pessoas infelizes que desperdiçam o tempo criativo com o trabalho. Ou já sou uma delas? 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

PSIU

Por que raios é tão fácil falar de você? Por que raios é tão difícil parar de pensar em você? 
È madrugada, amor, estou com sono e cansada, mas não consigo levantar pra ir dormir. Sinto o meu corpo pesado, não sinto vontade de ir pra cama... porque eu sei que você não está lá. 
É só comigo que essa ansiedade acontece? Parece que as horas passam rápido, para quem precisa descansar, ou passam devagar, para quem precisa ver o seu amor. Isso acontece comigo. Eu sento no sofá 1 hora da manhã, quand olho o relógio já é 3h. Agora, se vou te ver no dia seguinte, olho no relógio e parece que os ponteiros rodam ao contrário, de tanta demora.
Hoje é o seu aniversário, só que já é o 5º aniversário que passo ao seu lado então nada do que eu disse ou fazer vai te surpreender mais... Você me conhece bem demais pra eu conseguir te tirar do sério. Ou será que não? 
Eu me lembro quando começamos a namorar e ainda usávamos MSN, escrevi assim:

"Geany Gonçalves Pacheco diz
faz tanto tempo q não o leio
deu até vontade agora...
Isabele Baptista Monteiro diz
vou até salvar essa conversa
pra eu não esquecer de dizer todos os dias pra menina mais linda desse mundo, que ela é a luz dos meus olhos e o único motivo que me dá ALEGRIA e sorrisos e me encanta tanto, pra eu não esquecer de dizer todos os dias q eu a amo, e fazer com q os sonhos dela se tornem a nossa realidade e satisfazer todas as vontades... mesmo q bobas
Geany Gonçalves Pacheco diz
mesmo que picolé de caja-manga? "

Salvei essa conversa dia 30 de setembro de 2012. Você não acreditaria nas relíquias que salvei aqui... Mas então, tenho cumprido bem essa promessa né? Você mudou meu amor, coloquei essa conversa pra te mostrar a pureza e inocencia que conversávamos há 3 anos atrás. Agora, com 20 anos, não somos as criaturas mais maduras e responsáveis (em especial eu, que sou uma pata choca), mas somos duas garotas que se deram as mãos e lutaram juntas. Eu amo isso. Nossa história é linda, você é linda, nossos textos e fotos, todos me dão vontade de chorar, de rir, de mostrar pro mundo. 
Hoje, mais do que nunca, eu penso em você. O seu aniversário eu sempre tiro para refletir, eu gosto de te ver ficando mais velha, mais sábia, mais inteligente. Não tem noção do quanto eu me sinto orgulhosa de você, por você estar se saindo muito bem em suas atividades e sonhos, por você não ter desistido até hoje. 
Eu estive aqui por você o tempo todo e com certeza, se possível for, continuarei ao seu lado, te companhando nas empreitadas pela busca à felicidade. Eu espero que você tenha um dia feliz, um dia bom, mesmo que tenha provas e talvez nem nos vejamos, mas saiba que estarei com o pensamento elevado em positividade por nós e em especial por você, pela sua saúde, seu espírito, suas vontades, seus sonhos, seus estudos, que você tenha boas notícias e motivos para sorrir, que tenha sorte e vontade de fazer essa sorte, que você aproveite as oportunidades, que você lembre-se que tem a mim e que eu te amo infinitamente.
Feliz aniversário, meu amor. 







sexta-feira, 12 de junho de 2015

A você, que me ama.

Se hoje sou feita de amor (próprio e para com os outros) é porque aprendi, com você, a conhecer melhor a essência das coisas vivas. A virtude da paciência, o controle e libertação da libido (e não somente com a ajuda de uma taça de vinho), você que sabe de mim, eu que sei de você.
Em todas as nossas peripécias, já faz certo tempo que amamos-nos com nossas imperfeições. Por isso nós somos perfeitas. Entregas e companheirismos, carinhos e romance. Discussões infundamentadas, calores humanos, colores humanas, amores mundanos. Você que sabe tanto do que eu gosto, eu que sei tanto do que você não gosta.
Tantos por quês e tantas noites apaixonadas, deitada nos seus braços, bebendo das suas virtudes. Você é. É e sempre será. E é por isso que amo-te. Sem freios, sem vírgulas, sem o porém, sem roupa. Nossas lembranças ainda estão vívidas, por tão curta convivência, pra mim esse tempo ininterrúpto é pouco e precisamos de mais!
Suas mãos, seu olhos, seus beijos e seios e abraços e cabelos e lábios e unhas nas minhas costas, seus dedos na minha... pele.
Você é o começo e o meio, você pode ser o fim. Pode ser a continuação. Pode ser o aumentativo e o diminutivo. A inquietação da minha alma, a razão mais forte que eu tenho para prosseguir. A mulher mais mulher que eu já vi. A megera indomada, a carne, a luz, o fogo, o "concordar" e o "discordar" que fazem parte do meu ser, do meu espírito. A melhor e a pior parte do "apaixonar-se".
Lembro-me das estrelas naquele quarto azul e das meninices que aprontávamos. Eram tão boas as descobertas, as maluquices e medos. Aquelas preocupações se foram e com isso vieram as dores de cabeça da nossa fase "quase adultas". Somos suas meninas que aprenderam a viver juntas, que cresceram e superaram o que temiam juntas. Hoje sou mulher, sua mulher. E gosto de quando você me pega pelos cabelos e me morde o queixo, me faz jurar ser sua pra sempre. E eu juro. Sem medo. Sem pudor.
Falando assim, até parece que vivemos à base de sexo, mas estamos com a lua em quarto minguante, em uma sexta-feira, dia 12. Dia das namoradas se amarem terna e loucamente.
No mais, lembre-se e resgate todas as vezes em que se sentir solitária: eu estou aqui por e com você. Eu sou o que você precisar. E o respeito, o amor e o cuidado nunca vai mudar, pelo contrário, irá sempre almentar. em face do que já vivemos, até que estamos bem. Bem demais e tenho que agradecer por todas as manhas e manhãs. Por todas as marcas e fotos e cuidados que teve comigo. Sinto uma profunda gratidão por ter a chance de dividir meus segredos e a minha vida com você. É um privilégio e um prêmio.

Eu amo você, amo suas crendices, seus defeitos (não sei nem quais), suas qualidades (faria listas e listas), suas pidas péssimas, seus dramas, suas duras, seus ensinamentos, suas aulas de anatomia (não é no duplo sentido), seus dentes e sua covinha, suas dobrinhas, seus pelos, seu apelos, suas cerimônias, suas anedotas, seus 20 anos, suas pernas longas, seus gostos pra música, e seu péssimo gosto pra filmes, sua língua, seus medos, sua coragem, as coisas que só sei ler nos seus olhos (os dois), as mensagens lindas que só eu já ouvi do seu coração. Tanto pra falar, mesmo nem precisando (você lê a minha mente, você me lê). Te amo com tudo e mais um pouco: Geany.