quarta-feira, 18 de maio de 2011




Então a porta fechou
E através dela eu senti você partindo
Imaginando
Tentando
Quase sufocando
Meio lento, sem reação
Fiquei olhando
A porta partindo nossas vidas
A porta entre os instantes
Do que existia e do que agora se vai
Fiquei olhando a porta
Imóvel
Insensível
Quase triste, quase livre,
Quase nada
A porta fechada
Imaginando você recomeçando
E eu ali parado, pasmado
Os minutos da porta fechada
Os maiores
 Os piores
Eu não a abri nem corri atrás de você
Eu não implorei
Nem chorei
Eu olhei a porta fechada
E não fiz nada
Depois de algum tempo olhei
Ao redor o telefone
Tirei do gancho e levei ao ouvido
Tinha seu cheiro
Reconheci
 Pus no lugar
Olhei de novo a porta
Ela precisa de pintura.

                 (Cibele Baptista)