sábado, 4 de junho de 2011

Seminário de Sociologia

*Como as desigualdades se reforçam e se multiplicam 


Fui pesquisar a respeito desse projeto escolar, e me deparei com uma profunda falta de esperança. Não pra fazer o meu trabalho, isso eu faço com gosto. Mas o assunto foi me desestimulando. Percebe-se que dividimos as pessoas em classes, mas nem sempre respeitamos essas classes. Eu, por exemplo,  me identifico muito com pessoas com condições financeiras melhores do que a minha e piores também. O conhecimento também pode unir semelhanças, pessoas que se reúnem apenas por possuírem os mesmos gostos musicais, mesma forma de se vestir etc. Há inúmeras variações e definições para 'classes sociais'. Mas vem assim o problema: a desigualdade.
Me parece que o desinteresse em modificar essa situação é tão grande, que os poucos que procuram modificá-la acabam por desistir pura e simplesmente por não possuírem o apoio das altas classes, dos políticos, das pessoas influentes. Uma problemática longe de ser resolvida.
Não interessa a eles o que se passa fora da realidade em que vivem, aquela redoma de vidro polido e encerado que é tão sólida quanto diamante. Tantas vezes vemos homossexuais, mulheres, crianças sendo obrigados a se prostituírem por falta de opção, por falta de acesso à mesma educação que eu, minhas irmãs e meus amigos recebem.
Vemos o quão frágil é o nosso país, que ainda tem bombeiros e professores ganhando um trocado aqui e ali, enquanto nossos governantes estão no gozo de suas mansões, carros importados, piscinas luxuosas. Está aí na mídia, todos podem ver o que há de novo no mundo, de diferente, e fechar seus olhos diante de tudo, diante de suas próprias convicções e certezas. Não se sabe bem o motivo de tudo isso, sabe-se que o futuro é incerto e que todas as pessoas lutam pela própria sobrevivência. Quase uma selva, vive o melhor, mas no caso, vive o mais rico, poderoso, famoso.
Enquanto tantas mães sem um tostão para comprar pão para seus filhos choram de desespero por não terem amparo. Mulheres que são violentadas em suas casas pelos próprios maridos a quem juraram amor eterno e fidelidade. Crianças exploradas, arrancadas da tão importante e sonhada infância. Jovens que se drogam em festas por não terem nenhum tipo de informação, logo morrem de overdose, acidentes, DSTs, ou mesmo se suicidam pensando que a morte seria a melhor saída. Homens que sem esperança, sem trabalho, sem futuro se atiram nos braços do alcoolismo.
Esse capitalismo que cada dia aumenta e destrói os valores morais, esse mesmo capitalismo que tenta involuntariamente se proteger, dando a falsa esperança do crescimento e da igualdade. Está estampado que o único problema não é no capitalismo que existe por si só, mas sim nas pessoas que se deixam levar por ele, que não entendem o valor real da felicidade e do companheirismo. O problema é a sociedade repressora e preconceituosa, que adota métodos inválidos e conceitos falidos para distinção do amor, da felicidade.
O problema está aqui, incutido em mim, em você e em todos os que nos precederam, que formaram de forma equivocada esse emaranhado de discussões filosóficas que nunca resolvem nada.
A única arma que eu possuo no momento é meu conhecimento, e quanto mais eu adquiro, formo esse caráter justo que minha mãe me imprimiu, mais eu posso tentar mudar as coisas ao meu redor.
Sem pressa, nem mesmo receio quanto à isso. Sei que não depende apenas de mim, e que 'não podemos mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final' (Elisa Lucinda - Só de Sacanagem).


(clique no título da postagem, você verá o texto de Elisa Lucinda sendo declamado maravilhosamente por Ana Carolina, e poderá ver o texto completo também!)

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