sábado, 6 de agosto de 2011

Liturgia da minha palavra.

Sente-se e relaxe na cadeira. Não leia com atenção. Nem mesmo procure o sentido.
Está na minha hora. Sinto um certo coração. Braços calorosos. Estralo os dedos. Detalhes.
Os pelos do meu braço se eriçaram, me dizendo estar perto. O frio na barriga me avisou, já era tarde. Mãos suadas. Olhos desacordados. Inspiração e respiração. Cores fortes e vibrantes, dissonantes em minha imaginação. Acordes sem destaque, sem coerência. Maluquice absoluta.
Amor não se explica nem tão pouco se anuncia. Vento que gela o nariz, e faz tremer a coluna. Desenhos embaçados, passados, futuros, presentes com laço de fita. Minha memória de Elephant, meus ouvidos ouvindo e descrendo. Descendo na próxima estação. Você não está entendendo vírgulas, nem mesmo coisa. Eu entendo. Entendo tudo o que me dizem. Leve ao pé da letra, mesmo as letras que não possuem pé, os pés descalços de uma letra, tornam sapatos inúteis na grama. Correr na grama, sem um grama de consciência. Todavia, escrever leva à utopia. Ao escândalo da tardia, e do medo da frente fria.
Nariz escorrendo, sem lenço e sem documento. A viajem se anuncia.
Olho os ponteiros retilíneos e pontuais. Olho os trilhos e penso em martírios de outros. Pintei sua cavidade e gravidade, seu declínio. Palavras fabulosas, estupendas, palavras que me fazem escrever pelo o que se esperam ler. Essas memórias.
Tão sem graça sua realidade, tão sem loucuras e criações, sem arte, sem fantasia, sem brincadeira. Por que tão fria? Tão somente assim. Uma margem torta que não me deixa desenhar perfeitamente. Uma orelha em meus cadernos caprichados de letra redonda. Uma tinta seca, que nem com água se dissolve. Fotografia queimada na Kodak. Bolo que passou da hora no forno. Flor sem pétalas, jardins sem lagartas.
Vida sem destino. Destino sem coragem.
Beleza sem vaidade. Detalhe que implica minha tão sonhada rotina de feitos descabidamente desfeitos. Tantos defeitos. Lidos e escritos. Impressos à página zero.
Um abraço de serventia. E um adeus de cortesia.