sábado, 29 de outubro de 2011

Estou procurando,

Minhas lentes de contato perdidas na multidão, minha dentadura de vampiro, meu nariz de palhaço- que palhaça!-, meus óculos da moda e minhas calças rasgadas. Meu romance de verão, meu livro favorito, minha inspiração perdida. Procuro amor cinematográfico e pijamas listrados. Procuro poema e poesia da madrugada.  Procuro mãe. Procuro emprego e cortesia, tédio, procuro quem não tenha tédio. Procuro quem mate o meu tédio. Você se recorda dessas palavras?
Procurava algo mais....esqueci...ah! Procuro minha dignidade. Essa encontrei, estava debaixo da minha cama, do lado do creme Victória que você me deu de presente no natal, uma novidade: joguei ele fora. Surpresa? Eu não. Gostei de saber que você lê o que eu escrevo, confesso que várias postagens são exclusivamente direcionadas à você. Cretina.
Você dá risada da minha intolerância, eu morro de ódio. Ri do meu orgástico rancor e ojeriza da sua cara. Eu não entendo, me explica: Como pode dizer o que sente com tanta frieza e esquecer tão depressa o que causou à mim? Isso se chama crueldade. Sim, você é cruel. Eu me recordo de cada lance que ocorreu, naqueles dias em que éramos apenas jovens descrentes do futuro e presentes (no momento errado, no lugar errado). Aí eu me pergunto: valeu a pena? E plausivelmente me respondo: Me arrependo amargamente de ter vivido cada segundo daquela farsa.
Se fosse agora eu diria não. Mas como eu vivi e tive tempo pra refletir e chegar à conclusão de que eu realmente fui uma imbecil o tempo todo, cansei. Não adianta me ligar, conversar comigo pelas redes, mensagens de texto, sinal de fumaça, código morsa, bilhete, carta... seja o que for: esqueça a minha desprezível existência que eu já me esqueci da sua há tempos. E se um dia sentir minha falta, olha na sua vasta memória, vasculha seu cérebro tingido de loiro, roxo, verde musgo, mostarda, seja lá o que for e encontre lá as lembranças funestas de quem um dia te deu o que esperava, mas não obteve o retorno que pedia e hoje se valoriza deixando pra você apena isso: um post no blog. Dizendo adeus, até breve, addio, revoir, goodbye, e se não entende italiano, francês ou inglês, procura o Google Tradutor, todas as traduções te dirão a mesma coisa. Esperta- ironia, pra você que não entende.