sábado, 5 de novembro de 2011

Agora eu falo.

É demorei um pouco pra escrever. Demorei meses, talvez anos só pra conseguir falar sobre esse assunto. Mas eu sinto saudades, ontem chorei e me lembrei de várias histórias nossas. Pai, eu nem me lembro mais da sua voz, do seu cheiro, se não houvessem fotos eu nem lembraria como é o seu rosto. Eu sinto tanta falta... Eu? Eu cresci, eu me criei uma moça que busca pela própria personalidade, pelo conhecimento. Hoje eu sou a imagem que a minha mãe esculpiu, eu e minhas irmãs. Onde está a sua mão no meu cabelo? Me fazendo parar de chorar, me acalmando enquanto eu soluçava de tanto chorar.
A última vez que te vi foi tão rápido, mas é a lembrança mais forte que eu tenho do senhor, naquela pracinha da estação, como sempre de camisa polo, short e tênis, queimado de sol e eu te dei uma dura pra usar filtro solar. Você deu uma desculpa por não ir nos ver antes e me deu um abraço dolorido. Eu fui a última que te viu.
Eu ainda sou a sua Nena, sou sim.
Como pode tanta distância? Você é meu pai...é meu pai, eu acho tão estranho falar MEU PAI. Não tenho o costume de pronunciar isso. Não poderia, não pra outra pessoa.