quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Seminário de Sociologia 2



SEMINÁRIO DE SOCIOLOGIA
VIOLÊNCIA CONTRA OS JOVENS


  
2. O CONCEITO DE JUVENTUDE

“De acordo com Bourdieu (1983), não se deve incidir no erro de falar de jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns, e relacionar esses interesses a um faixa etária. Não existe uma juventude, mas multiplicidade delas, tantas quantas são as tribos existentes. Não temos a pretensão aqui de oferecer uma conceituação abrangente dessa realidade. Existem juventudes organizadas por adultos, como por exemplo, aquelas constituídas no âmbito de clubes, partidos políticos, igrejas e sindicatos. De outro lado, existem grupos de jovens que se formam espontaneamente pela identificação com alguma atividade desportiva, cultural, acadêmica ou científica. Existem outros ainda que se identificam pela hostilidade às ‘doutrinas e às fórmulas que se voltam para as promessas de um futuro melhor. O acento é colocado muito mais na brevidade e emergência do tempo... A juventude grita/canta/dança que o futuro é agora!’ (CARRANO, 2003, P. 134)”

 

Este é um trecho do Estatuto da Juventude que prima pela proteção dos direitos daqueles que são considerados “jovens”. A proposta cria o marco legal para a juventude. O texto assegura uma série de direitos aos jovens, como meia-passagem no transporte interestadual e intermunicipal e meia-entrada para os estudantes em eventos culturais e de lazer. De acordo com o texto da comissão, é assegurada ao jovem a participação na elaboração de políticas públicas para a juventude, cabendo ao Estado e à sociedade estimularem o protagonismo juvenil.
O projeto também assegura que todo jovem tem direito à educação, com a garantia de ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para aquele que não teve acesso aos respectivos níveis de ensino na idade adequada.

Direitos esses que devem ser respeitados e cumpridos, porém na maioria das vezes não são garantidos. Vemos ainda hoje, obviamente, a má distribuição de renda, as divisões sociais, influências midiáticas etc. que tornam quase que impossível o cumprimento das normas de proteção das crianças e dos adolescentes.



A má distribuição de renda no país causa as desigualdades sociais, que levam ao aumento da criminalidade e da violência. Na periferia das grandes metrópoles, principalmente em bairros pobres e favelas, crescem as atividades criminosas. As dificuldades de acesso á educação e a bens e serviços torna os jovens mais vulneráveis a essa criminalidade e a uma morte violenta prematura.

Os casos mais incidentes de violência são geralmente em jovens de baixa renda, negros, que vivem em um meio considerado ‘violento’. A conduta agressiva entre os pré-escolares e escolares é influenciada por fatores individuais, familiares e ambientais. Entre os fatores individuais encontramos a questão do temperamento, do sexo, da condição biológica e da condição cognitiva.

A família influi através do vínculo, do contexto interacional (das interações entre seus membros), da eventual psicopatologia e/ou desajuste dos pais e do modelo educacional doméstico. A televisão, os videogames, a escola e a situação socioeconômica podem ser os elementos ambientais relacionados à conduta agressiva. Embora esses três fatores (individuais, familiares e ambientais) sejam inegavelmente influentes, eles não atingem todas as pessoas por igual e nem submete todos à mesma situação de risco.

 

A agressividade, por si só, não pode ser considerada um transtorno psiquiátrico específico, ela é, antes disso, sintoma que reflete uma conduta desadaptada. Como sintoma ela pode fazer parte de certos transtornos. Podemos dizer até, que a conduta agressiva costuma ser normal em certos períodos do desenvolvimento infantil, está vinculada ao crescimento e cumpre uma função adaptativa. Essa agressividade normal e fisiológica também é chamada de agressividade manipuladora.
Por essa razão, fala-se que a infância/adolescência é o período de revolta. O jovem em si, busca seu lugar na sociedade em que vive, assim sendo toma uma postura revolucionária que luta contra os ideais impostos, mesmo que de forma inconsciente.  

 


NO BRASIL:

·         Adolescente negro tem quase três vezes mais risco de ser assassinado do que branco 
·         Foz do Iguaçu concentra maior índice de jovens vítimas de assassinato
·         Sudeste concentra maioria dos municípios com altos Índices de homicídios na adolescência
·         Entre todas as questões relativas à situação do adolescente brasileiro, a morte violenta de menores de 19 anos é a que mais preocupa o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no país.


TIPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
(Gonçalves, 2005; OMS, 2002)

·         Violência Física
Atos violentos com o uso da força física de forma intencional - não acidental - provocada por pais, responsáveis, familiares ou pessoas próximas.

·         Negligência
Omissão dos pais ou responsáveis quando deixam de prover as necessidades básicas para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança e do adolescente.


·         Psicológica
Rejeição, privação, depreciação, discriminação, desrespeito, cobranças exageradas, punições humilhantes, utilização da criança e adolescentes para atender às necessidades dos adultos.

·         Sexual
Toda a ação que envolve ou não o contato físico, não apresentando necessariamente sinal corporal visível. Pode ocorrer a estimulação sexual sob a forma de práticas eróticas e sexuais (violência física, ameaças, indução, voyerismo, exibicionismo, produção de fotos e exploração sexual).


QUAIS OS POSSÍVEIS EFEITOS DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES?

- Hiperatividade ou retraimento;
- Baixa autoestima, dificuldades de relacionamento;
- Agressividade (ciclo de violência);
- Fobia, reações de medo, vergonha, culpa;
- Depressão;
- Ansiedade;
- Transtornos afetivos;
- Distorção da imagem corporal;
- Amadurecimento sexual precoce, masturbação compulsiva;
- Tentativa de suicídio, entre muitos outros.

 

COMO NOTIFICAR OS CASOS DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES?

- Conselho Tutelar
- Secretaria Municipal de Saúde
- Promotoria Infância e Juventude
- Delegacia da Infância e Juventude
- Defensoria Pública