terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Antes o que era medo, hoje é segredo

Nossa, dadas as circunstâncias, faz um certo tempo que não escrevo. Só ainda não tinha sentido necessidade. Aconteceram tantas coisas. Vocês nem irão acreditar. Esse que era um blog, hoje vejo mais como meu diário, então vou mudar o rumo da prosa e tornar esse texto mais pessoal. Menos subjetivo, pra que fique o mais claro possível, prometo que tentarei ser breve.
São nas madrugadas estranhas de lua cheia que minha inspiração aparece realmente, eu deveria estar dormindo como as outras pessoas. Mas ao invés disso eu fico aqui, pensando sem parar, pensando em tudo. Não sei pra quê reviver tantas e tantas vezes essas imagens na minha cabeça. Não só da viajem, desse ano, nem das coisas que vivi, ou que quero viver. Hoje a necessidade está diferente. Sinto-me leve outra vez.
Sinto como se as coisas estivessem bem claras na minha frente, prontas pra eu digerir e direcionar positivamente pra minha vida. É uma coisa boa? Ter certeza de algumas coisas? É certo?
Eu não sei se fiz bem, mas sei que 'um passo tinha que ser dado', e esse passo eu tive coragem de dar. Por mais incrível que pareça. Eu antes tão covarde, tão medrosa. Hoje não preciso de abajur pra dormir, não vejo fantasmas no espelho. Durmo sentada. Atravesso pontes, olhando para baixo. Rio de palhaços enfeitados. Passo dias fora de casa, sem ver minha família. Passo noites acordada sem precisar me preocupar. Não tenho regulamentos sufocantes que ditam minha vida.
Eu vou aonde eu quero, aonde eu gosto. Eu ando de bicicleta, esses dias atrás eu fui ao lago tentar me exercitar, refletir, ouvindo músicas eu pensava o tempo todo no que fazer, no que pensar. Eu não entendia tudo aquilo ainda. Não sabia certas razões de ser, e, na minha inocência eu era feliz. Feliz sem saber o que era ser feliz.
Eu sorria somente para a água refletindo o sol poente, apenas admirando aquela natureza frágil e débil que era tão linda e refrescante. Deu pra sentir calafrios. Mas depois que tudo passou, depois daquele momentos em que olhei naqueles olhos cansados e sofridos que há muito não encarava, olhando aquela imagem impagável de um pai. Um homem que um dia era provedor de um lar, responsável por vidas e pela proteção de quem o amava, olhando a lembrança de quem um dia ele foi... me senti impotente. Impotente.
Não podia odiá-lo simplesmente. Que atire uma pedra quem jamais errou. Que atire a primeira pedra quem jamais escorregou no próprio medo. Na própria escuridão. Essa pedra eu jamais arremessaria, eu erro todos os dias em não dizer quem sou eu pra mim mesma, pra minha família, para o meu amor. Eu erro todos os dias em não poder ser quem eu sou. Eu erro. E ele também errou. E eu perdoei, mesmo não precisando perdoá-lo de nada. Ele é sangue do meu sangue. É quem me gerou. Quem me viu crescer até certo ponto, responsável pela maior parte dos meus defeitos. Talvez de algumas virtudes. Mas é quem fez minha vida acontecer.
É por ele que eu rezo todas as noites antes de dormir, e choro de saudades por não tê-lo ao meu lado. Por clamar pelo seu nome atônita necessitando carinho, necessitando compreensão, ajuda. Me enxergo nele. Me vejo refletida em suas ações e lamentações. Em suas orações, mesmo que inexistentes. Sinto cansaço. Nem um pouco de arrependimento.
Era disso que eu dizia, ou tentava dizer em códigos banais nos meus textos antigos. Eu só queria refletir melhor, pensar corretamente, ser uma pessoa melhor. Não me sentir suja, ou impura apenas por ser diferente. Não ter olhares tortos. Não me sentir fraquejada. Menos forte, menos capaz. Isso é uma oração?
Então meu Deus, me ouça pois agora estou dizendo de todo meu coração. Me perdoe. Me perdoe por não estar lá. Por não ter forças pra continuar. Por ter tanta bagagem e não usar isso de forma positiva. Eu não estou triste, apesar de estar chorando, estou feliz por estar de peito aberto. Como há muito tempo não me sentia. Apenas porque eu acho que o Senhor ouviu minha súplicas intermináveis. Apenas isso. Esclarecida e agradecida.