domingo, 25 de dezembro de 2011

Sempre corro o risco de viver


É caso sério, sobrenatural seria se eu não corresse o risco de sofrer algum acidente. Parece que possuo um ímã que atrai tudo.
Como em todas as férias, a família acampa. Dessa vez não foi diferente, fomos relaxar tirar uns dias de folga da doideira que é essa vida urbanizada. Aqui (ainda estou no acampamento), vemos de tudo um pouco, de gente chata a vizinhos maravilhosos. De cachorro bravo à paca, tatu, cotia não. Damos bananas às pequenas lêmures infelizmente já acostumados com os homens, alimentamos até um tiú, um não, dois! Pássaros de toda espécie, de todo canto, de toda malandragem os pequenos... Cada um mais diferente e lindo que o outro, que nos acorda e nos nina para o sono aconchegante na barraca. Denominamos cada um que aparece aos nossos pés. A natureza aqui jorra exuberância.
De manhã caminhada na trilha do sagui. Depois uma ducha e piscina até a hora do almoço. Fazemos o quilo, depois piscina novamente, por vezes aula de hidroginástica, outras vezes apenas tranquilidade.
Porém, hoje resolvemos fazer diferente. Eu na minha canha diária, mamãe estava pra cidade, eu e Lena estávamos sozinhas no clube. Ficamos a tarde toda curtindo a “maresia” da piscina, amando aquela preguiça infinita. Voltamos para nosso lar doce lar, comemos e de repente resolvemos caminhar pela trilha. Corridinha básica pra aquecer o corpitcho. Tudo ocorrendo naturalmente, íamos tranquilamente conversando, quando de longe (uns 100 mts adiante) avistamos dois cães latindo ferozmente para nós duas. E, já traumatizada, apavorei e ordenei a Lena pra fazermos o caminho de volta para o acampamento. Percebi que os animais estavam interessados em proteger o local e éramos suas inimigas mortais. Medo, muito medo. Minha única reação foi correr dos animais que já estavam dispostos atrás de nós. Eu percebendo o pavor da situação, quase já não tinha fôlego vi que a Lena estava correndo mais rápido que eu, olhei para trás pra saber quais eram nossas chances. As únicas coisas que conseguíamos ouvir era o som da impulsividade, o coração e a respiração já falhos. Minhas vistas embaçadas apenas rezando pra que nada de mal ocorresse à minha irmã, rezando pra que ela corresse mais rápido ainda. Quando vi que o cão, obviamente, estava muito perto e seu latido já estava muito próximo de nós eu me virei pra frente e acelerei, a Lena entrou precipitadamente na minha frente, eu tropecei no calcanhar dela e caí invariavelmente no chão, como jaca podre. Minha cabeça a essas alturas só conseguia pensar em como sair dessa situação, meus braços instintivamente foram pra frente do meu rosto. Nessa hora só um milagre poderia me salvar da fúria dos dois cães selvagens. O pavor aumentou.
Lena, no auge de sua marcha refreou ao ouvir o barulho de mim caindo. Pensou se me salvava, ou salvava a si própria. Com muito medo também. Já estávamos cogitando a opção de entrar no meio da mata e embrenhar no meio do mato, mas eu caí (graças a Deus, essa seria uma péssima ideia, já percorremos todas as trilhas da mata, mas no medo todo nosso conhecimento do local seria em vão). Ela virou-se e assumiu uma postura defensiva, ela estava a alguns metros de mim, que estava estabacada no chão, completamente coberta de terra. Os cães assustaram-se e recuaram, já estavam prontos e com seus caninos afiados para me atacar ali, indefesa no chão. Mas continuaram latindo, impondo a presença e o respeito. Eu pude me levantar, tonta, cambaleando e me mover rapidamente para os braços da minha salvadora. Abracei minha irmã tremendo (ambas), mas a abracei porque senti que iria cair desmaiar talvez.
Voltamos eufóricas com tamanha aventura de férias. Refletimos, repensamos diversas vezes a situação. Rimos. Conversamos, contamos pra mamãe que quase teve um troço.
Eu não digo que essas coisas só acontecem comigo, pois eu sei que histórias engraçadas todo mundo tem pra contar. E eu sei que mais dessas situações acontecerão comigo. Sempre acontecem, talvez eu já tenha até me acostumado a sempre estar correndo algum tipo de risco. Vivo em constante adrenalina, sempre uma nova história, uma nova aventura. O que eu posso fazer? E só esperar que nada pior aconteça e eu possa continuar contando essas histórias. Assim espero, deusolivreguarde!