domingo, 25 de dezembro de 2011

A Verdade


Essa palavra me assusta. Estou em uma corrente de acontecimentos que seriam perfeitos para manter e aumentar minha paz interior. Mas parece que eu estou cada vez pior. Um buraco gigante, bem no meio do meu peito, ele está aqui, nós não podemos ver, mas eu o sinto.
Essa noite aqui no acampamento eu não dormi. Estou sentada debaixo de algumas árvores, o clima fresco, pássaros. Tudo lindo, até o sol me queimando a pele é lindo. Mas me vem aquela angústia decadente e injusta. Eu estou tão bem, os dias aqui passam tão depressa, piscina, sol, frutas, exercícios, dormir, descansar, pensar. Esse é o problema, eu penso demais.
Não consegui dormir, pensando incessantemente no cachorro que nos atacou, pensando nas possibilidades que ele poderia ter aproveitado e me desfigurado. Eu poderia ter morrido. Aí me vem à mente aquelas cenas em que a gente aprende a lição, pois “vimos a morte de perto”, viveremos a partir de agora da melhor forma possível. Balela. É eu sei que foi um risco que eu corri que eu deixaria muitas coisas pendentes ainda. Por isso resolvi contar o mais rápido possível. Eu tenho pouco tempo. Não, eu tenho todo o tempo do mundo. Nessa noite que eu chorei repetindo incessantemente a mesma frase na minha cabeça, tentando desviar a minha atenção da cena dos cães e de outras coisas que eu não queria e não precisava ter ouvido, eu percebi que se for pra continuar nessa angústia ridícula, é melhor não continuar.
 Tenho certeza que muitas pessoas conhecem os meus melhores lados. Meu lado risonho, feliz, austero, irônico (não tão bom), artístico, saudável, pouco saudável. Eu tenho várias facetas. Inclusive uma que deseja o tempo todo acabar com tudo, o meu lado totalmente suicida. Claro, suicidas de verdade não se anunciam por isso deixo claro: eu jamais tiraria minha própria vida, eu não tenho esse direito. Deus nos criou pra que pudéssemos aprender e evoluir. Se eu não aprender com tudo isso que estou passando, que tipo de ser humano poderei ser?
Mas é um lado um tanto quando psicótico. Que no auge dos meus pensamentos mais profundos, alguns egoístas, outros altruístas, eu sinto necessidade e não vontade, de morrer. O que aconteceria se aquele cachorro tivesse arrancado a minha cara fora? Se naquele dia eu não tivesse pulado em cima do carro, e ele passasse por cima de mim? O que aconteceria às pessoas ao meu redor? Eu sei que seria um sofrimento danado, que eu não estou sendo prática ao pensar dessa maneira. Mas viver escondendo o que sente é horrível também. Talvez até pior do que mentir.
De certa forma é mentir, os mais otimistas diriam apenas que é omissão, mas eu não vejo diferença. Sim eu sofro com isso. Me dói esconder os sentimentos.  Não é a cabeça, o coração somente, é dor física chega a dar vontade de vomitar.
Algumas pessoas pensam que é coisa de adolescente, mas eu tento ao máximo não resplandecer essas coisas. Para as outras pessoas, a minha única preocupação é com meus estudos e isso é o que menos me preocupa. Eu sei as minhas limitações e conheço minhas qualidades, sei como aprimorar, sei como corrigir. O problema é que quanto mais lúcida me sinto, mais eu entendo minha condição, menos esperança eu tenho de ser feliz plenamente.
Todos dirão, mas que depressão em senhorita! E eu vos retorno: não se trata de depressão, doença ou qualquer outra bobagem, nem sequer me sinto triste. Mas sinto-me desmotivada a dar o seguinte passo. O passo da verdade. De contar para aqueles que não sabem. E contar para quem eu amo a verdadeira face desse meu amor.
Seria uma verdadeira hecatombe na minha vida. Acho que estou acomodada nessa rotina, seria muito confuso e chateador. Não quero mais choro, não quero mais sofrimento. Basta eu sentindo, ninguém mais precisa se preocupar também.