segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Acho que nasci no planeta errado

Estava fuçando na grande rede mundial de computadores, mais conhecida como internet, quando uma amiga do face compartilhou um link que achei mais do quê justo eu publicar aqui. Em vista do que vemos hoje na sociedade, e eu digo isso com propriedade não só com embasamento filosófico, familiar ou o que nós vemos na televisão/internet, mas também experiências pessoais, não há nada mais desumano do que o pré-julgamento de um caráter, o preconceito massivo gerado desde que o mundo é mundo. A partir do momento em que nasceram as diferenças entre as pessoas e o medo do desconhecido o preconceito estava lá. Acabamos de assistir um filme que mostrava uma realidade similar, de preconceito-violência. A história é triste, o filme chama-se "Boys don't cry", narra o sofrimento do garoto que nasceu com transtorno de gênero, ele naturalmente era um garoto, mas no corpo de uma garota. É um filme pesado, forte, mas vale a pena ser assistido, confira o trailer abaixo:


Mas esse não é o ponto onde eu queria chegar, e sim neste ponto. Acho uma coincidência ter acabado de assistir esse filme e me deparar com uma situação assim:

O preconceito existe e está por toda parte! 



"Ontem ao voltar pra casa, logo após sair do teatro, fui vítima de preconceito, dentro do ônibus. No momento não me dei conta e não levei a sério, só escutava um grupinho dando muita risada e em alguns instantes tive a impressão de estar sendo fotografada.
O Fábio (meu noivo) e sua filha estavam sentados no banco da frente, como podem observar na foto e eu sozinha no banco de trás, ele colocou a mão pra trás e segurou minha mão, como sempre fazemos, e em alguns momentos fez cócegas no meu joelho e permaneceu segurando minha mão durante toda a viagem.
Quando nos dirigimos à porta para descer do ônibus, pude observar o grupinho, era um pessoal alternativo, a maioria gay (o que pra mim não fez diferença alguma. dado que preconceito não tem gênero), desci do ônibus e fomos pra casa. Minha surpresa foi quando um amigo me chamou no facebook e disse que havia encontrado uma foto minha na web e me enviou o link. Foi então que minhas suspeitas se confirmaram, fui tomada por um sentimento de pura tristeza e passei a me perguntar, como uma massa que sente o preconceito na pele, diariamente, quer exigir respeito da sociedade ao passo que não respeitam as diferenças? Posso estar generalizando, mas que fique claro que refiro-me a pessoas específicas, são eles: Thiago Zela (foi quem tirou e postou a foto), Matheus Bortolatto , Guilherme Hair e Matheus Mattos, que comentaram de maneira preconceituosa!
Todos erraram feio, mas na minha opinião, a situação tornou-se insustentável a partir do momento que eles usaram do pré-conceito nos seus comentários, a partir do momento que eles se acharam superiores, a partir do momento em que eles usaram a cor da minha pele e a cor do cabelo do Fábio para fazerem comentários e brincadeiras de mal gosto. 
Mandei uma msg no facebook pra eles, dois deles desculparam-se e se disseram arrependidos, o Thiago Zela (que postou a foto) logo após minha abordagem respondeu, dizendo que já havia feito a parte dele e ninguém mandou eu não ter respeito no ônibus! O que??? Falta de respeito Thiago? Da minha parte que não foi, vejo coisa muito pior diariamente, você fez coisa muito pior ao tirar aquela foto e arquitetar uma maneira de me humilhar publicamente!
O fato é que eles desculparam-se após eu ter ameaçado denunciá-los, inclusive por racismo (por que sim, os comentários deles foram racistas). Enfim, não acredito no real arrependimento e estou divulgado o fato, justamente porque acho que não posso fechar os olhos diante dessa situação.
O Fábio me disse, amor, deixa pra lá, você vai se machucar e se estressar com isso. Ele não está errado, mas até quando vamos deixar pra lá? Até quando vamos fingir que o preconceito não existe? Até quando vamos aceitar o desrespeito? Até quando vamos dar um sorrisinho amarelo pra piadas e comentários desse tipo?
Desculpa pelo desabafo pessoal, mas me senti na obrigação de compartilhar esse fato, compartilhem também para que as pessoas fiquem atentas, no ônibus, no shopping, em qualquer lugar, você pode estar passeando com sua família e encontrar pessoas mal intencionadas, afim de zoarem com sua cara, te humilharem e o pior, serem preconceituosas! Enquanto a sociedade não assumir que o preconceito existe, enquanto não acharmos que um pedido de desculpa pode apagar a mágoa e fazer com que esqueçamos, enquanto não lutarmos para que pessoas como esses três rapazes citados acima reconheçam e assumam suas atitudes arcando com as consequências das mesmas, não teremos igualdade!"
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 Agora é só formarmos nosso caráter de acordo com as informações que recebemos diariamente, vendo esse lixo que a sociedade produziu. Trata-se de pessoas atacando outras pessoas, por quê? Não sabemos, apenas tememos pelo nosso futuro e pelos nossos filhos que ainda virão.