quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eu, dormir? Que isso?

Eu dormi, sim. E sonhei, sonhei demais, loucamente! Sonhei com você, o sonho mais doido da minha vida...e olha que eu sonho muito heim! Eu acordei assustada e mexida demais, não consegui dormir de novo. Aliás, não estou conseguindo dormir de novo. Acho que vou ficar por aqui mesmo...no sofá da sala até amanhecer. Não quero sonhar de novo. Não quero esquecer esse sonho.
Não era o que eu esperava. Mas foi tão real, palpável. Sinto até agora...
Será que é possível? Um sonho ser tão similar à realidade? Eu queria poder voltar lá. No mesmo lugar.
-O Lugar
Era no lago de Colina, por alguma razão. Aquele lugar lindo, estava diferente, mas eu sabia que era lá. Essas coisas de sonho são inexplicáveis, a gente sabe que é, mas vê que está diferente. Pois então, era lá.
Acho que eu quero voltar lá, é tão legal a disposição das árvores, das sombras, parece bem confiável e confortável. No sonho eu me sentia bem, me sentia feliz de novo. Se é que algum dia eu fui realmente assim o tempo todo.
-O Momento
Foi estranho. Conversávamos sobre tudo, parecia futuro, você não tinha nada de diferente mas eu sabia que estávamos mais velhas. Conversávamos sobre nós. Eu me sentia empolgada pra contar tudo o que tinha acontecido comigo na faculdade, que eu havia me formado, estava trabalhando, tinha um filho. Eu tinha um filho? Eu tentava lembrar do rosto do meu filho. Mas eu não conseguia lembrar nem o nome, mas eu sabia que eu tinha um filho!
Você linda com sempre, me parecia tão adulta, conversando como uma mulher de 40 anos que já sabe o que é da vida. Experiente e eu dava razão e confiava em tudo o que você dizia. Sentia saudades do tempo de adolescente. Daquela liberdade que nós tínhamos. Eu senti tanta coisa ao mesmo tempo, meio difícil dizer.
Parece que o nosso encontro tinha sido casual. E você me falava como se nunca tivéssemos nos separado. Me abraçou como se estivesse despedindo. E me deu um beijo no rosto. Foi engraçada essa hora, porque eu ri e falei: -Você tirou o aparelho! Porque eu não senti o aparelho no beijo. Você riu e concordou, mas era a mesma ainda, o mesmo cabelo, mesmo aparelho, até as roupas.
O maior desejo no sonho era tentar lembrar do que tinha me acontecido na vida, mas eu não conseguia. Eu sentia tudo passado, que eu já era velha, mas até o meu reflexo no lago era o mesmo.
-Acabou
Foi aí que eu comecei a entender que era só um sonho. Não era real. Não éramos velhas. Eu não tenho um filho. Eu não fui pra faculdade ainda. Você não tem o tom de voz que tinha no sonho. Não estamos nos despedindo. Foi muito confuso, até doloroso aquele abraço, como se eu nunca mais pudesse ter ele de novo e ouvir a sua voz outra vez, fazer piadas como duas crianças, pois éramos adultas e tínhamos que nos comportar. Assim agíamos no sonho.
Tomara que a gente nunca cresça. Nunca mude. Nunca se despeça. Tomara que você ainda possa me mostrar o rosto dos seus filhos e eu dos meus. Eu possa ver você se formar junto comigo e possamos viajar mais. Conhecer outras pessoas é bom, mas vai ser difícil me desvencilhar de você pra poder estudar e ser quem eu quero ser. Tomara que esse ano demore 15.000 anos.
Meu sonho me fez mais mal do que quando estou acordada. Sem saídas.
Sim, não precisa me perguntar eu sei que você vai ler esse texto primeiro que eu. É você sim.