quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

“ Banho bem tomado, unhas cortadas, maquiagem um pouco borrada e cabelo penteado. Assim ela permanecia todos os dias na ilusão de que a limpeza exterior lhe arrancasse o aspecto triste e de medo. Mal sabia que o seu olhar seu olhar ultrapassava toda aquela longa roupa, a sua carne e até seus ossos, fixando-se em um local remoto onde todo o seu conteúdo era completamente desconhecido. Ela tinha um olhar áspero, que muitas vezes ficava marejado, e inundado por lagrimas que constantemente lhe visitavam pela madrugada.Nela existia um olhar desviado, às vezes preocupado e tinha um certo receio que mais alguém percebesse isso.  Não aguentava mais ter que esconder seus sentimentos, suas fragilidades, nem mesmo sabia por que fazia isso. Alias o único obstáculo que lhe fazia ser assim era ela mesma.Era tão insegura de si e tinha tanto medo de demonstrar, tinha receio do que os outros falariam dela. Em uma tarde quente de verão, enquanto estava no seu quarto, viu de relance um jornal meio que velho e mofado. Estava meio rasgado, e leu na manchete que ler fazia um bem tremendo. Acho aquilo curioso, seus olhos cor de mel se encheram de lágrimas, mas desta vez não foram fruto de tristeza e sim de esperança. Será que ali era a cura de toda aquela angustia que sentia? Aquilo foi como tocar as assas de um pequeno anjo, foi um alivio tão intenso. Talvez essa descoberta lhe ajudasse a viver um pouco mais. Aquilo poderia moldar novamente a sua alma, e quem sabe ela não volte a ser a pequena garotinha sonhadora que conheci a tempos atrás. ” — poetisa nostálgica )