sábado, 31 de março de 2012

Histórias de outono - Parte I - Estátua?

Distraída eu pisava nos rastros do teu caminho e fazia da tua elegância meu emblema. Sentia leves brisas e ferroadas. Sentia nada normal e assim me enfeitiçava. Sentia que nada aquilo era real, que eu acordaria gritando de pavor, do medo de me magoar. Acabei chegando ali, defronte uma estátua de mármore. Tão forte e dura, impenetrável que me assustava. Sua pele alva e de certo modo tão sedosa que me fazia sentir vontade de acariciar. Mas não fiz. Era uma estátua impenetrável, de feições oblíquas, marmóreas, ininteligíveis. Não conseguia definir o que era doce e o que era dor.
Era sonho?
Eu estava sentindo o corpo tão livre, solto ali naquela imensidão, onde só existiam eu e ela. A estátua de feições marmóreas. Era bruto o oxigênio dali, sufocante. Ou era aquele cachecol coloridos que coloquei? Não conseguia distinguir. Eu estava com a sensação de saber exatamente o por quê das mentiras e desumanidades da estátua. Mas não queria entender as razões. Não queria ver que meu coração estava sendo o alvo das risadas das outas estátuas já condenadas, por tanto tempo expostas ao tempo. À merce do vento, da poeira, da chuva. Estátuas de mármore não se racham.... mas aquelas eram de um falso material, era apenas pra assustar quem é verdadeiro e era feito de vidro, como eu ali. De vidro.
Um vidro temperado de sentimentos decadentes e humanos. Sentimentos fracos, aqueles que me faziam senti vontade de ter relações verdadeiras, beijar, abraçar. Mas eram só estátuas de mármore. Em seus pedestais de ferro.
E eu corri,