quinta-feira, 29 de março de 2012

Um chorinho que é feliz


Odeon, de Ernesto Nazareth

"Chora bastante, meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao Bandolim pra não tocar tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai meu chorinho, eu só queria
Transformar em realidade a poesia
Ai que lindo, ai que triste, ai que bom
De um chorinho chamado Odeon"



Aprendizado musical, com meus infantis 6 anos e meio eu iniciava os estudos de violão na escola de artes CEMART. Na cidade onde habito desde meu natalício. Sim, estou mais retrógrada do que nunca.Aprendi a escrever assim com vovó, reclame com ela. Retornando, iniciados os estudos no instrumento que eu julgava ser minha vocação, sabia que me daria bem e tinha muita intimidade com o desproporcional material de música. Meu primeiro violão, um Málaga marca chinesa sei lá, simples, pra iniciantes. Foi meu grande companheiro durante anos e anos... Meu professor possuía grande simpatia por mim, eu era tão jovem e já tão aplicada em meio dos alunos, em sua maioria, muito mais velhos que eu. 
Eu tinha exemplos pra querer tanto tocar violão, meu tio sempre tocou, cresci vendo-o tocar. Mas minha mãe sempre me ensinou ouvir música erudita, chorinho, MPB, eu percebia que o violão era o mais óbvio dos instrumentos que se ouviam nas músicas. Eu queria!
Eu consegui, fui crescendo e aprendendo, improvisando estudos, anotações. Quando aprendi a teoria musical um mundo novo se abriu. Eu sabia música!
Comecei a me aprofundar, gostava de tocar de tentar sons. 
Sabia que meu talento não era natural, era só pelo meu esforço, nunca tive talento pra musicalidade, mas sempre amei música e queria fazer parte daquele universo a parte. 
E faço, de vez em quando dou meus ataques musicais, minhas loucuras artísticas, meus momentos de indiscutível sensação de inspiração voando em torno de mim e entrando no meu corpo em me proporcionando um frenesi de emoções inexplicáveis. Eu sempre preciso me sentir assim. Como a necessidade de uma droga, eu me sinto quando estou inspirada.
Ouvir música é terapêutico, tem que ser feito no conforto do seu silêncio e atenção. Música de verdade, não to falando de qualquer coisa barata que nos vendem por aí. 
Ouça o que não é óbvio, o que não faz parte das "Play Lists" de todos. 
Ouça o que te faz sentir delírios imaginários, te faz sentir orgásticas vibrações.
Misturar gêneros é comigo mesmo, eu posso ouvir uma Guitarra Clássica Española num minuto e passar pra Janis Joplin no segundo seguinte, sem sentir a diferença contextual, apenas sentindo vontade de ouvir tudo de novo.
Se livre das convenções e das enfadadas rotulações musicais, saia do tédio e entre no mundo musical desconhecido até por mim, que amo me aprofundar e estudar todo esse tipo de história...como já devem perceber!