domingo, 22 de abril de 2012

Provando que vim da Lua

Eu sempre desenhei, toda a minha vida estive rodeada por papéis e lápis. Ontem minha mãe estava fazendo questionamentos profundos sobre meus desenhos, porque eu tava revoltada com a minha técnica e meu traço. Então eu passei a me questionar sobre esse meu objetivo e vocação de ser arquiteta.
Hoje me lembro. Nem sempre foi assim, apesar de ser uma criança que sempre desenhou e escreveu, leu, brincou, eu gostava de fazer experiências. Sonhava em ser inventora e fazer algo realmente útil para a vida cotidiana.
Mas essa fase de recortar garrafas pet, colecionar parafusos e trocar as rodinhas do skate logo passaram. Então eu comecei a me perguntar sobre mim mesma. Me questionar sobre a vida e me tornei uma pequena filósofa. Quando mamãe não estava em casa, eu aproveitava a chance e subia na mureta do quintal para observar o céu, esperando sempre ver alguma coisa interessante (de OVNIs à estrelas cadentes). Não me interessava o frio que estivesse fazendo, eu adorava olhar pro céu...meu sonho era ter um telescópio legal pra olhar mais de perto. Nessa fase meu desejo era ser astrônoma ou astronauta, mas eu só falava que queria ser astrônoma pra não me acharem tão retardada ("só gente besta quer ser astronauta em sã consciência").
Mas aí descobri que estava muito longe de mim esse sonho. Passei a gostar de aviões, porque também chagam até o céu, então eu queria ser aviadora ou engenheira mecânica da aeronáutica (como um tio meu, que era aviador ou coisa do tipo)... Essa foi a fase que mais durou.
Depois disso passei a me interessar mais por desenhos, muita gente me apoiando a desenhar, então eu queria ser cartunista da Turma da Mônica (na verdade esse sonho perdura até hoje '-'), pulei pra algo mais real, pesquisei alguma coisa que tivesse mais a ver comigo e com tudo o que eu gostava.
Então descobri a magia da Arquitetura, meu mundo se abriu pra uma clareira de ideias. Apesar de eu desde sempre pegar os folhetos de lojas de móveis e ir montando minha casa com os produtos, eu nunca tinha reparado que realmente gostava daquilo, pois junta as minhas reflexões sociais, históricas, meu desejo de ser inventora, lunática, artista, cientista e, além de tudo, realizadora de sonhos.
Eu já quis ser maestra e violonista, mas essa é uma outra história. A gente pula essa parte né?