terça-feira, 29 de maio de 2012

Bafafá danado sô!

Não poderia deixar de comentar aqui o ocorrido do dia. Hoje um fato nos chocou na sala de aula. Ao entrar, uma de nossas professoras fez um infeliz comentário referindo-se de forma preconceituosa aos homossexuais. Imediatamente os alunos mobilizaram-se, pois não foi a minoria homossexual que se sentiu ofendida, e sim uma legião de pessoas entendedoras da questão e interessados na retaliação dos danos morais causados pelas duras palavras que nos  foram entregues. Confesso que no momento em que ouvi uma das minhas professoras preferidas e mais admiradas expressando-se mal daquela forma (claro, entendo que ela não disse com a intensão de humilhar ou magoar alguém) eu não acreditei, há casos em que o melhor é calarmos nossas bocas ignorantes e aceitarmos o fato de haverem tantas diferenças no mundo - o que nos torna completamente iguais uns aos outros.
Em um dia comemoramos a luta contra a homofobia, no outro choramos, pois percebemos que a luta ainda é pequena e que mesmo tendo ganho uma pequena batalha como essa, ainda somos pequenos diante a população mundial. Quantas pessoas no mundo inteiro ainda pensam como essa professora? De forma machista e preconceituosa, verdadeiramente homofóbica. Mas não por escolha, sei que a formação moral de cada um é diferente, mas aprendemos desde crianças a amar o próximo, independente de quem ele seja. Homossexualidade não é desvio de caráter ou defeito de fabricação. Não foi um erro de Deus na hora da criação ou sei lá o que.... Homossexualidade é UMA DAS naturezas humanas. Assim como o amor é. Assim como a inveja, o ciúme, a amizade. Tudo isso está incutido em nossas naturezas e em nossa perpétua condição de humanos e aprendizes. Nunca é tarde para aprender sobre respeito e compreensão. Não somos ninguém para julgarmos uns aos outros. Antes de julgar um casal gay criando uma criança, olhe pra dentro da sua casa e veja como está a criação dos seus filhos e os valores que você transmite a eles. São os mais corretos? Pautados no respeito mútuo às diferenças, sejam elas quais forem?
Pois é, acho que não. Voltando da escola, no mesmo dia, entrei em um ônibus que estava repleto de crianças que também voltavam de suas respectivas escolas. Todas rindo, brincando, falando alto. E na maioria dos assuntos o que mais se vê é o desrespeito e a visão preconceituosa sobre todos os aspectos. As crianças faziam comentários maldosos sobre tudo, roupas, pessoas, idosos, mulheres (sim, meninos que nem aprenderam a mijar em pé sozinhos ainda, comentado de forma abusiva sobre o corpo das garotas do ônibus - eu fui protagonista de um dos comentários e me senti extremamente ofendida). As crianças estão cada dia mais cruéis o que me faz pensar no tipo de educação que lhes são entregues, que tipo de valores morais a família, a televisão, a internet etc. têm passado para as futuras gerações. São esses casos que tornam cada dia mais enraizado o preconceito massivo na nossa sociedade atual.
Não vejo luzes de um futuro livre de ódio generalizado contra as diferenças, triste realidade da sociedade machista e preconceituosa atual.
Concluindo o caso da escola. Eu e mais um dos alunos fomos convocados para conversar com a professora. Falamos muito e falamos bem sobre a visão que temos. Não que seja algo moderno ou diferente do que ela já estava acostumada, mas mostramos que hoje em dia a visão mudou, o mundo mudou, as pessoas mudaram e não podemos enferrujar nas ideias ultrapassadas dos que não conheciam a natureza humana verdadeiramente, o importante é sempre atualizarmos nossos pensamentos e nunca estagnarmos nossas agregações de valores. Pois a cada dia que passa é um aprendizado diferente e nunca é tarde para reverter o mal causado por uma palavra mal posta. Só espero ter conseguido tocá-la um mínimo, pra que outras pessoas menos racionais que nós (que ouvimos e assistimos o acontecido e tivemos a maturidade de sentar e conversar) possam ser atingidas, ofendidas e algo pior aconteça.
Que o amor prevaleça sempre entre nós. Somos todos vindos da mesma poeira cósmica e todos retornaremos à ela algum dia. Cedo ou tarde. Só agradeço a todos que nos ouviram, todos os "adultos" envolvidos que nos apoiaram e compreenderam nosso ato de conversar com a professora. Todos que se mobilizaram pela causa e de mãos dadas lutaram. Cada dia aprendendo uma coisa diferente.