domingo, 24 de junho de 2012

Srta. Brasileira



Hoje, por acaso, acordei mais cedo e como de costume fiz o meu café, abri a casa, deixei o ar quente entrar e liguei a TV na Cultura pra ver se algo do meu interesse passava. Eu tinha que deixar esse momento registrado, pois essa é uma das coisas que mais me deixam inspiradas. Não só pra ouvir música brasileira, mas pra aprender sobre as regionalidades do país onde eu vivo, ou somente desenhar, tocar... Essas coisas que sabemos bem.
Estava passando o programa do Rolando Boldrin, o Sr. Brasil. Eu me lembro, quando criança, que todo domingo quando dormia na casa da vó Arlete, era só ouvir o toque: "corre um boato aqui donde eu moro..." Que eu pulava da cama pra passar mais um dia de brincadeiras. Foi um dos programas que mais marcaram a minha vida. Das culturas brasileiras existentes, as que mais atraem a minha curiosidade é a nordestina e a dos pampas, sem dúvidas. E assistindo ao programa não é que eu tenha ficado nacionalista mas fiquei curiosa pelo Brasil. 
Acho interessante essa cultura de retirantes, de crochê, rendas (que herdamos dos holandeses e franceses), comidas apimentadas e com farinha, assim como acho lindo ver os homens em cavalos vestidos com a bombacha e os lenços charmosos no pescoço. Interessante como é mostrada a beleza brasileira e sintetizada em um único espaço... Conheci nomes como Ataulfo Alves (Laranja maduuuura, na beira da estrada... Tá bichada Zé, ou tem marimbondo no pé!! ♪), Premeditando o Breque (ninguém gosta mais de salsicha que eu, ninguém gosa mais de melão do que meu irmão...♪), entre outro que já citei em outra postagem mais antiga (Já que não quiseram...). 
Então fique agora com minha trilha sonora favorita de final de semana: 


Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoa que eu choro são mar ponteada.
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi santa e purificada.
Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho a ração da estrada.
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando essa vida marvada.
É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desengano.
É que a viola fala alto no meu peito, mano,
E toda mágoa é um mistério fora deste plano.
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver:
Chega lá em casa pruma visitinha,
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha,
Há de encontrar-me num cateretê
Tem um ditado tido como certo
Que cavalo esperto não espanta a boiada.
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando essa vida marvada.
Cumpadi meu que inveieceu cantando
Diz que ruminando dá pra ser feliz.
Por isso eu vaqueio ponteando
E assim procurando minha flor-de-lis. 

(Vide vida marvada - Rolando Boldrin)