segunda-feira, 20 de agosto de 2012

E eu desapareci

Sinto agora meu coração na ponta dos meus dedos. Depois que essa fase passar, vou procurar dentro das gavetas do meu coração o que eu realmente deveria fazer pra mudar, só que pra melhor. Minhas mãos e meus pés gelados não conseguem agir junto com os meus pensamentos: penso na minha casa, na minha família, nos meus amigos e como eu deveria ser. O que eu deveria fazer.
Os livros me trazem paz, me fazem respirar e, por vezes, me tiram do tédio descarado do meu espírito. Me sinto amargurada. Distante, não só dos meus desejos ou dos meus sonhos, como também das pessoas que eu amo... Perdendo cada vez mais o juízo, me sinto perto do meu próprio juízo final. Mas não se trata da morte, muito pelo contrário. Será que é agora que começo a viver e ser livre das correntes imaginárias que me prendem? Não é certo que "pássaro preso não canta, lamenta"? Não estive eu, por acaso, somente lamentando nesses últimos tempos???
Pois é. Agora me vejo fechada e mais maltratada ainda, baqueada pelo tempo gasto com os livros didáticos e minhas folhas impressas. Nem meus desenhos me salvaram. Nem as músicas. Agora que passo o tempo colecionando imagens na minha cabeça, datas aleatórias e frases curtas que façam sentido só pra mim e pro meu entendimento, não consigo discernir o certo do errado e me sinto criança novamente. Não sei me expressar, não sei falar, não sei escrever e me entrego ao mundo sem lembranças. 
Sem lembranças? Sim, mas com meu coração batendo. Com meus sorrisos, meus dias de choro desenfreado, minhas músicas bregas e minhas roupas da outra moda. Não consigo pisar fora dos meus antigos passos, mas pelo menos agora entendo que eles são o caminho certo. Eles me ajudarão a chegar aonde eu preciso e finalmente entendo minha mensagem. Digo logo que não só uma mensagem, como também a história inteira, do começo ao fim. Do fim.... Para um novo começo. 
Penso que o ano deveria começar agora por prioridades minhas. Meu sarcástico egoísmo range, saindo entredentes na minha voz rouca (de quem há algum tempo fica em silêncio e chora por qualquer coisa - voz de choro) e agora depois de anos e anos de subserviência penso em mim de fato. Não só aquilo que todo mundo para pra pensar e repetir dentro de si mesmo. Mas um pensamento intenso e observador de quem vê os furos daquela personalidade, mas também vê o que há de melhor naquele coração. No meu coração. Eu tenho coração? Eu tenho coração!
Hoje li algo que bateu na minha cara como uma estigma de Jesus: "Tudo na vida tem um final, seja ele triste ou feliz." E finalmente fui livre das lembranças. Agora retorno ao começo: nasci de novo. Meu ano recomeçou. Agora sou livre e estou feliz por ter acabado assim. Sem nenhum adeus. Sem trégua. Sem tiros.
Eu chorei. Chorei algumas semanas seguidas, rachei minha cabeça de tanto pensar. E só agora compreendi, que tudo tem seu fim, sendo feliz ou triste, verdade ou mentira. Eterno ou só daqui há 3 minutos. "Será que três minutos podem durar para sempre?, eu me pergunto mas já sabendo a resposta. Provavelmente não, respondo. Mas talvez durem tempo suficiente."
As minhas promessas eu mantenho, sou mulher (sim) de palavra. E tenho palavras na ponta da língua. 
Agora que entendo meu processo difícil de evolução espiritual, posso dizer com clareza: tudo fazia parte da minha história. Cada coisa ruim, cada coisa boa, me fez aprender algo e finalmente minha mensagem chegou. Eu re-vi pessoas, me desfiz do laço de outras. Agora sou eu, Isabele Baptista quem está no comando de mim mesma. Obrigada.