sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mais um projeto

Mania de Viver

Poderia viver em uma unidade federativa, um Estado, uma cidade com leis, códigos etc. um país com uma constituição que garanta que cada cidadão tenha seus direitos básicos garantidos. Os direitos para uma vida digna. Poderia considerar os governantes e autoridades as coisas mais essenciais e indispensáveis para a sociedade. Poderia também ter a sociedade como respaldo para minha moralidade, importante não só para manter a ordem e a paz entre as comunidades, mas para interferir em nossas vidas. Mas não.
O mais importante, onde vivo, não são os conceitos de beleza inventados pelo dinheiro, nem as regras seguidas e desenhadas por outros que também são guiados pelo capital. O que é realmente importante, ao meu parecer, é o ar puro que posso respirar vindo das grandes árvores que me rodeiam, a natureza aos meus pés. Poder colher da árvore, o limão fresco e tirar um grande ramo de hortelã da terra para o chá da tarde. Não são apenas as pessoas que estão ali me acompanhando e fazendo os dias serem mais felizes dessa forma simples de compreender o meio onde vivo, é o conjunto da obra que forma o caráter e a índole de quem sabe aproveitar a natureza que os rodeia.
Eu poderia citar números, estatísticas e até probabilidades, a capacidade dessa cidade de produzir coisas úteis (ou culturas inúteis) para outras grandes cidades consumirem e/ou produzirem outras coisas de importância social. Citaria a cultura preconceituosa, na qual sobrevivemos empurrados goela abaixo do governo, a cultura da desonestidade estampada na cara dos colarinhos brancos e nos jornais que são manipulados pela ditadura midiática imposta ao povo que, cego, aceita ser enganado.
Mas, como já havia dito: não. Não vou me prender aos preceitos morais da minha terra, mas sim aos detalhes simbólicos que servem de inspiração para os poetas. Não sou uma sonhadora, nem uma atrasada, ou alienada, apenas penso que o homem deve ser visto pelo que é em sua individualidade e não como “mais um consumidor”, que é o que faz o capitalismo imperialista que os Estados Unidos nos aplicam. Todos consideram de primeiro mundo suas marcas estampadas em suas camisas e seus lanches americanos gordurentos.
Agora, o que eu vejo no mundo são as coisas da cidade, como o som dos passos das pessoas apressadas que correm atrasadas para suas reuniões e suas decisões importantes, tossir a fumaça fétida que os carros jogam na afetada camada de ozônio, coisas que fazem parte da nossa rotina cansativa e moderna. Seria mais válido prestar atenção nas ruas pacatas da minha cidadezinha do interior, o zunido da conversa fiada das crianças e das velhas fofoqueiras. Abaixar meus olhos por respeito a outras pessoas (não somente as mais velhas, mas sim, o ser humano em geral), ficar encantada com a miscigenação cultural, religiosa, étnica, misturas e diversidades criativas, diversidades musicais. No Brasil temos essas possibilidades, em países do Oriente Médio (como por exemplo), não teríamos essa liberdade de escolher nossos caminhos culturais.
Ter olhos adaptados para enxergar a verdadeira beleza que somos expostos. Ouvidos aguçados para ouvir detalhes simples que ressoam ao nosso redor. Boca e voz ativas, para modificar o meio em que vivemos e transformar o social em algo verdadeiramente mútuo, não deixando esse egoísmo massificado continuar generalizando o ser humano. Pare apenas um segundo do seu dia corrido, respire e reflita.
O ser humano pode ser bem melhor, entendendo que seus semelhantes, independente de sua sexualidade, a cor de sua pele, seu gênero, suas roupas, sem pensar em qualquer arquétipo do tipo é igual em essência e natureza. Do pó viemos ao pó retornaremos. Espero que a sociedade se torne nas próximas gerações mais equilibrada e justa com as pessoas, é talvez meio utópico pensar que as pessoas possam respeitar as opiniões no futuro, mas esperamos pelo menos que ao nosso redor, nossa voz faça a diferença.
O preconceito massivo, a falta de honestidade são problemas morais não só brasileiro, mas mundial. Lidar com esse assunto é mexer com todos os conceitos pré-formados que a sociedade traz, desde seus primórdios. Apelamos agora para a natureza, a natureza do homem é amar, então, amemos uns aos outros com igualdade. 



*Texto para participar da Olimpíada de Língua Portuguesa.