quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Minha loucura


Não tem nome, idade, nem endereço. Não tem hora pra começar/acabar. Não tem motivo, inspiração. Cadê a minha inspiração? Cade meu Deus? Cadê meus amores e minhas virtudes? Cadê a poesia na ponta dos meus dedos? Na minha língua? Na minha alma... Aonde está a vingança do meu passado. Os meus sonhos mais errados e meus textos sem compreensão. Aonde está você que não me alcança, nem quer. Nem vem. Nem virá.
Aonde estão os quadros que pintei com guache, meu desenhos de lápis, as marcas de batom na beirada dos copos em cima da pia, os chinelos virados pra baixo na sala, as visitas, as cantigas antigas, os bolos da tarde com café, chá de hortelã, mato. Meu riacho. Cadê o que eu chamava de primordial, onde estão meus conceitos mais pagãos e minhas mentiras prontas, meus dedos tortos e minhas revistas de foto. Pra colar na caixa. Pra remendar minha vida, minhas costas. Veio a furo. Veio o meu momento, chegou a hora... Vou pra lá, me sentir menos só. Porque só assim, não serei louca, por completo.