sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Olhando a história dela por fora

Vamos agora entrar no contexto dela. Aquela menina que usa o cabelinho curto e não gosta de alinhar seu penteado, parecendo sempre que acabou de sair de uma enorme ventania. A sujeira dos tênis que ela usa todo santo dia é só pela auto-confirmação que ela precisa de que sua sujeira está apenas em seu exterior e que seu coração se mantém limpo mesmo que ela chore algumas vezes, sozinha à noite.
Ela ouve com atenção todos os ensinamentos que ela precisa, e tenta mesmo que falhe diversas vezes fazer dessas filosofias seu direcionamento, pra poder viver melhor, mais tranquila. Ela está sempre aberta à luz, porque sabe que a única pessoa que pode remover algum rancor dentro dela... É somente ela mesma. E não por isso deixa de lado seus amigos, pois sabe que não dá pra escrever o amor, o amor nós só podemos provar e ela tenta fazer isso sempre por eles. Mesmo que algumas vezes faça errado e se arrependa. Arrepender-se também é bom. Significa que ela sabe quando está errada e tenta se corrigir, mas se arrepende de tantas coisas, tantos sentimentos ruins pairam seus pensamentos que o mal da dúvida sempre a atordoa fazendo seus pensamentos ficarem em desordem e seu emocional abalado. Ela precisa saber conciliar os negócios de sua vida.
Aprender também que as pessoas podem ser más e cruéis com quem sente medo e maltratar quem seja fraco. E ela é forte, muito forte. Mas é pequena, muito pequena, diante da imensidão dos problemas que ela quer enfrentar de frente.
Não suporta crueldades, essa menina eu conheço bem, ela se disfarça de heroína pra que sua face de vilã fique exposta apenas quando ela precisa e seu caráter de vítima se esconda atrás de sua capa protetora. Ela pensa que é muito mais do que pode, mas sente medo de afirmar isso pro mundo, ela sabe que a inveja tem ouvidos compridos e aguçados.
Ela é muito boa com as palavras, domina-as com a destreza de um advogado do diabo e compra votos de todos com sua "face" simpática. Sim boa com as palavras, mas péssima com os gestos. Ela prefere sempre que a façam calar quando asneiras lhe saem à boca, mas ao invés de ficar calada ela só fala. Ela gosta de gestos. Ela gosta que a façam feliz, que a façam sentir longe de seus problemas e também a façam jurar como criança. Disciplinada, nem parece aquela figura desordeira que pensamos ser. Sua aparência é de quem não se importa, mas seus atos são cronometrados, são retilíneos e às vezes até meio cômicos de tão organizados. Ela sabe ser desorganizada, mas prefere manter suas coisas como sempre as deixa, não arrumar nem desarrumar.
Não reconhece uma ironia sequer, mas é tão perspicaz com indiretas que quando sente ciúmes (e ela realmente é a pessoa mais ciumenta do mundo inteiro), é melhor do que qualquer investigador profissional. Pensa alto às vezes, mas não fala o que pensa. Tudo o que lhe vêm à cabeça é perfeitamente distinguível em suas expressões faciais tão irregulares e de vez em quando até engraçadas para quem a conhece bem.
Se chateia com pouca coisa, mas se irrita com facilidade. Pavio curto ao máximo, mas tão serena na hora da ira, que apenas em casos de necessidade ela usa sua língua ferina para se proteger e proteger a quem precise dela. Mas quando abre a boca, é um Deus nos acuda... Boca suja, desaforada e cara de pau. Não se importa com sua "imagem", apesar de tentar manter seus modos polidos para que não a vejam com maus olhos, ainda mostra a língua pra gente chata e senta de pernas abertas.
Renega muitas coisas dentro de si, mas faz questão de afirmar suas raízes. Muitas vezes é confusa e nem sabe se expressar bem mas ela entende que se o que ela quer dizer for visto em seus olhos, ela vai poder dizer tudo o que precisa sem nem ao menos professar uma palavra.
Essa menina não escreve certo por linhas tortas, nem é mais uma menina. Já é moça e moça criada na base de danone e pipoca, jogando videogame e lendo Monteiro Lobato. Moça com olhos de menina e espírito de senhora. Senhora de suas próprias vontades e verdades. Que mentira! Não sabe nem se defender de um cão, quanto mais saber o que quer da vida... É só mais uma perdida nessa divina comédia humana onde nada nem ninguém é eterno.
Ela na verdade só quer amor.
Agora que já a conhece a fundo, como vê seus atos? Como a enxerga? Ela é tudo o que você esperava? É quem você queria que ela fosse, ou quem você esperava que ela fosse? A Bel das histórias é tão romântica e poética que faz a verdadeira parecer um ogro, um trol das montanhas. Só espera mostrar sua doçura que está escondida, mas existe. Deseja também mostrar sua espontaneidade, mas é tão sem criatividade que só repete o que admira. Admira muitas coisas. Admira pessoas boas, admira felicidades, cores, amores, poetas e poemas, admira sua mãe e suas irmãs, admira sua melhor amiga. Admira a beleza da natureza e pessoas naturais, que usam sempre tudo como lhe veio ao mundo, desde seus cabelos até às unhas. Não gosta de vestir roupas, gosta de se sentir fresca e livre dentro de sua casa e prefere que não façam piadas quanto suas preferências meio excêntricas. Mas sabe diferenciar piada de maldade.
E então responda: Ela é a pessoa certa na hora certa, ou só a pessoa errada na hora certa? Vice e versa? O que ela significa? Quem é ela na sua concepção? Eu tenho muito mais a falar dela, mas deixo agora nas tuas mãos.