sábado, 11 de agosto de 2012

Só mais um trabalho de sociologia

É só beber e dissolver seus ossos meu caro amigo! s2



Preciso dar asas à minha imaginação sociológica e fazer uma pesquisa sobre como os brasileiros se relacionam com seus corpos e escolher um dos tópicos que abrangem a cultura e o relacionamento com o bem estar (nutrição, educação física, estética, medicina e moda). Argumentar sobre os aspectos culturais e sociais relacionados com o corpo.
Bom, posso começar olhando pela minha própria família. Não temos a terrível neura de correr atrás do molde perfeito para a silhueta, mas não é por isso que deixamos de cuidar de nossas saúdes.  Apesar de que no aspecto “moda”, o assunto torna-se diferente, não só na questão de roupas e sapatos (generalizando: como toda mulher garante que é louca por essas coisas – eu sou o que então?), como também nos quesitos maquiagem e cabelo.  Certo, mesmo sabendo que minha família busca sempre outros meios da sociedade que não sejam os óbvios, assim por dizer, não somos escravas da mídia de forma quase que depravada e absurda, ainda assim estamos presas ao consumo e à generalização do “estilo”.
Vendo em âmbito geral, no Brasil há uma ditadura midiática repressora e terrivelmente controladora, que além de determinar roupas, estilos, maneiras de se portar, músicas que ouvimos, também determina o que desejamos e nossos conceitos de “sonhos”. “Moda” é um conceito irracional e ilusório que tende a se repetir de geração em geração, independente das agregações morais ou de conhecimento. Tudo para tentar demonstrar conceitos de gostos, tendências e para afirmar e comprovar status e/ou comportamento social.

Estamos expostos à ultra-violência o tempo inteiro
e nem nos damos conta disso...

Temos várias classificações para “moda brasileira”. Temos coleções que variam de estação para estação e conjuntos de membros todos dedicando suas vidas ao adestramento do corpo, presos à ideologia dos modismos e das recorrentes mudanças. Um brasileiro nunca estará na moda por completo, pois a cada dia inventam uma nova forma de ganhar dinheiro visando esse campo tão fácil de persuadir e alimentar as vontades das pessoas. De acordo com a última pesquisa divulgada pelo “Datapopular”, os brasileiros aumentaram as compras com confecções em 68,4%, entre o período de 2002 e 2011. O levantamento indica ainda que a classe média foi a parcela que mais investiu nas peças no último ano, ou seja, representa 48,4 % do total. Os lojistas comemoram esses resultados e apostam sempre em novidades, produtos diferenciados e atendimentos personalizados em busca de mais vendas.

Meninaaaaaaaaa é A7X² na veia, e bjo pra quem não gosta ;*

A relação do brasileiro com seus corpos é estritamente comercial, não no sentido de “vender seus corpos”, imagine só um país cheiro de prostitutos (okay, eu sei que Brasília é assim, lá nos palácios políticos). Os jovens, em especial, são superficiais quando se trata de roupas e estilos, buscam o que mais lhe agradam aos olhos e não vivem sem compartilhar isso em suas “timelines”, suas “dashboards” ou seus “tweets”... Tudo para mostrar como é seus espíritos, seus gostos e seu “eu interior”. Mas não percebem que estão se tornando cada vez mais cópias um dos outros.

Estamos vivendo uma era digital, onde gírias, nomes estrangeiros e modismos não param de aparecer, hoje é mainstream ser dark, tá na moda o underground, moda que lembra a época grunge. É legal entre os adolescentes imitar os anos 90, 80, 70, 60... E assim vai. É legal e interessante ser descolado, no sentido de ser “juventude transviada”, postar fotos em B&W (nome que usam para “preto e branco”, que vem do inglês “black and white” -  dããã), todos são intelectuais e fãs do Tim Burton, Stanley Kubrick e Johnny Deep, amam Harry Potter e criticam a saga (antes adorada) de Twilight, escutam músicas de bandas com líderes suicidas (tais como Kurt Cobain de Nirvana, Jim Morrison do The Doors ou o Ian Curtis do lendário Joy Division), jovens que idolatram e ficam endeusando personalidades que levam sua tristeza congênita para suas artes. Acham que a morte é a saída mais gloriosa para seus labirintos imaginários. E não são somente no quesito música/cinema, como também nos desenhos, pinturas, livros e fotografias. Está “na moda” ser crítico da sociedade e fumar, beber vodka, ser ateu e achar-se espontâneo agindo dessa forma. Todos agindo da mesma forma procrastinada e cliché, com suas roupas démodés e seus estilosos modos de escrever (bitch, I’m fabulous).
São ações desse tipo, massificadas, que levam a crer que é impossível conceituar moda em um sentido geral e uma vertente única. Pois a moda está em constante evolução (ou o contrário), e seus seguidores são sempre os mesmos, independente da classe e dos valores. Consideram-se únicos quando na verdade são carregados nos braços dos adestradores, e controladores. E por um único motivo: dinheiro. 



Concluindo: na mão de quem está o poder da moda? Não existe um único detentor do poder, tanto as redes sociais, as mídias (cinema, músicas, internet etc.), os fabricantes de roupas (que são os que mais saem lucrando com tudo isso), ou sei lá quem... Como também as pessoas que seguem essas modas, que dão valor no que estão “usando”. Que carregam nos braços as marcas do capitalismo, mostrando com orgulho suas marcas caras e suas coisas autênticas (Vans, All Star, Star Bucks, Mc Donalds, etc. etc. etc.). Eu, em minha forma crítica de analisar essas situações não deixo de ser uma cópia das modas de hoje, sou tão escrava quanto qualquer um desses estilos do momento, mesmo tentando escapar dos clichés e das estampas iguais. Não consigo sair da corrente de pensamento que rege a todos que buscam a diferença. Impossível não ser.