terça-feira, 23 de outubro de 2012

Índiogente




É terrível saber que algo do gênero está acontecendo no nosso país, considerado o um dos melhores para se viver (não sei por quê... só porque não temos tantos desastres naturais? Os desastres causados pela corrupção aqui são bem maiores). O povo que vive nesse país não tem o mínimo de noção da importância que as terras onde estão construindo a nova usina lá no norte do Brasil (Belo Monte- de merda) tem para os  povos indígenas... Quase que sagrada, porém, ninguém foi lá pedir permissão para os verdadeiros donos das terras. Esse problema não é unicamente no caso da usina, no resto do país inteiro aonde há tribos e comunidades indígenas, os nativos estão procurando meios mais chamativos para protestarem, mas ninguém fica sabendo, ninguém vê. A massacrante mídia com sua novelas e seu futebol (que eu ODEIO em preto e branco) consegue sobrepor qualquer catástrofe dessa magnitude. Os índios já possuem uma Constituição separada da nossa, justamente porque é impossível julgar um homem de cultura COMPLETAMENTE diferente, da mesma forma que um homem criado no meio urbano, com crenças, costumes e caráter diferentes. O homem branco não tem consciência de sua prepotência fechando os olhos para quem um dia já foi rei nessas terras. E aposto que a maioria daqueles índios podem passar muitos valores melhores do que os que estão sendo impostos, pregados e divulgados na nossa sociedade, nos escravizando e acorrentando nossas almas nessa lama corrupta e ignota, onde não sabemos os limites e até onde isso pode chegar e no quê isso pode acarretar para o resto de nossas vidas. Sem falar que o povo ainda acha justo tentamos inserir nossa cultura na cultura dos índios, educando-os e ensinando a escrever, dando-lhe roupas e incentivando-os a conhecer o capitalismo... Escravizam (mais ainda). Absurdo e o pior é que estão acontecendo tantas coisas no mundo, que, o pouco que nós ficamos sabendo... acabamos por ignorar. Não é só a problemática dos índios, é também a quantas andam as Marchas das Vadias pelo mundo, as guerras e conflitos do Oriente Médio, as revoluções estudantis da Europa, as eleições de segundo turno das cidades mais importantes do Brasil, tanta gente morrendo, tanta gente ignorando. Tenho medo do mundo. Assista ao vídeo, informe-se também:



"Nas últimas semanas, além do futebol de sempre, dois assuntos ocuparam as manchetes: o julgamento do chamado "mensalão" e, em São Paulo, o programa de combate a homofobia, grotescamente apelidado de "Kit Gay". Quase nenhuma importância se deu a uma espécie de testamento de uma tribo indígena. Tribo com 43 mil sobreviventes.
A justiça federal decretou a expulsão de 170 índios na terra em que vivem atualmente. Isso no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, à margem do Rio Hovy. Isso diante de silêncio quase absoluto da chamada Grande Mídia. (Eliane Brum trata do assunto no site da revista Época). Há duas semanas, numa dramática carta-testamento, os Kaiowá-Guarani informaram:
-Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui, na margem do rio, quanto longe daqui. Concluímos que vamos morrer todos. Estamos sem assistência, isolados, cercados de pistoleiros, e resistimos até hoje. Comemos uma vez por dia.
Em sua carta-testamento os Kaiowá/Guarani rogam:
- Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais.
Diante dessa história dantesca, a vice-procuradora Geral da República, Déborah Duprat, disse: "A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida da questão indígena em todo o mundo". 
Em setembro de 1999 estive por uma semana na reserva Kaiowá/Guarani, em Dourados. Estive porque ali já acontecia a tragédia. Tragédia diante do silêncio quase absoluto. Tragédia que se ampliou, assim como o silêncio. Entre 1986 e setembro de 1999, 308 índios haviam se suicidado. Índios com idade variando dos 12 aos 24 anos. 
Suicídios quase sempre por enforcamento, ou veneno. Suicídios por viverem confinados em reservas cada vez menores, cercados por pistoleiros ou fazendeiros que agiam, e agem, como se pistoleiros fossem. Suicídio porque viver como mendigo ou prostituta é quase o caminho único para quem deixa as reservas.
Italianos e um brasileiro fizeram um filme-denúncia sobre a tragédia. No Brasil, silêncio quase absoluto: Porque Dourados, Mato Grosso, índios... isso está muito longe. Isso não dá Ibope, não dá manchete. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, o índice de assassinatos na Reserva de Dourados é de 145 habitantes para cada 100 mil. No Iraque, esse índice é de 93 pessoas em cada 100 mil.
Desde 1999, quando estive em Dourados com o fotógrafo Luciano Andrade, outros 555 jovens Kaiowá/Guarani se suicidaram no Mato Grosso do Sul. Sob aterrador e quase absoluto silêncio. Silêncio dos governos e da Mídia. Um silêncio cúmplice dessa tragédia."




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Algumas leituras que podem ser interessantes para você (que prestará ENEM/Vestibulares ou não):