quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Visita - Parte 4


Depois de tantos sofrimentos e aprendizados, Asariel se levantou... Ainda nenhum humano pedia vê-lo, mas já se sentia diferente. Sentia fome, não sentia medo e solidão. Pediu pra Deus proteger seus próximos passos e pediu pra que algum anjo fosse orientá-lo nos próximos passos. Nada ocorreu. Não entendia porque ninguém tinha ido lhe socorrer, não sabia que o contato divino com os humanos fosse tão distante e dosado. Ele, no entanto não era nem anjo, nem humano... Estava em um período transitório. Estava nu e sem nome, agora não podia mais ser Asariel, preparava-se agora para morrer para poder renascer.
Porém ninguém foi buscá-lo. Nem o avisaram sobre o que deveria fazer, os passos a dar. Estava só e sem saber como proceder. Passou uma noite inteira orando para que o Senhor lhe desse uma luz, esclarecesse sua mente. Nada houve. Perambulando de dia pelas ruas, nu e com os olhos de uma criança que nada entendia, nunca tinha visto tanta sujeira nem tantos rostos, tanta indiferença, falta de amor. Estava com medo. Observava todos andando de um lado para outro, indo para seus empregos, vestidos com seus ternos ou vestidos, batons, penteados, malas e bolsas. Ele passou a sentir-se envergonhado de sua nudez e se escondeu então. Não se lembrava aonde sua família morava, sem as asas ele perdeu seu senso de direção e a facilidade de se locomover... Andar a pé era lento e desgastante, ele estava cansado, com muita fome e começava agora a desidratar. Não sabia o que fazer, procurou uma praça aonde se sentou em um banco, encolhido, cobrindo-se com uns jornais que havia encontrado. Não sabia quem era, nem o porquê de estar ali, não se lembrava o que deveria fazer, não se lembrava de mais nada. Era um humano. Assim ele pôde morrer.