quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Visita - Parte 5

Eu não sei quem sou e o que estou fazendo, da onde vim ou pra onde devo ir. Qual meu nome? Seria um indigente? Que lugares são esses? Essas pessoas? Por que ninguém me dá ouvidos? Devo estar enlouquecido? Sou um homem ou uma mulher? Sinto algo estranho, minha barriga está roncando e minha boca está seca, sinto frio e acho que isso é medo. Não me lembro de outras ocasiões ter sentido essas coisas. Não me lembro da minha família.
Meu Deus, quem sou eu? Meu corpo está fraco... Não consigo me levantar, preciso de vestimentas e abrigo... alguém... pode... me socorrer?...
...
...

Estarei morto? São tantas perguntas sem respostas, quem são aquelas pessoas que estão se aproximando de mim?
 - Nós viemos te ajudar, não precisa fugir.
 - Vocês podem me ver? Me ouvir?
 - Sim meu filho, somos o auxílio que você precisa para sua encarnação. Você agora é um humano, um espírito livre de obrigações e de subserviência, agora todas as experiências que você tiver na Terra você terá de carregar para sempre em sua evolução. Está certo e que deseja começar a viver já?
 - Acho que sim... Sinto-me só, não sei o que devo fazer...
 - Lá haverá outros espíritos que estarão ao seu redor para te influenciar e te ensinar. Você deverá trabalhar, estudar, evoluir por esforço próprio e logo saberá agir sozinho.
 - Está certo, estou pronto. Quando posso partir?
 - Amanhã de manhã sua mãe lhe dará a luz, sua família não é a mesma que você havia escolhido, é uma família boa e iluminada, mas seu caminho estará entrelaçado com aquelas pessoas que você conheceu. Fique tranquilo.
E na manhã seguinte eu nasci. Foi um processo estranho e demorado, eu enxergava luzes e pessoas mascaradas, não conseguia me expressar nem avisar àquelas pessoas que eu estava com medo e frio. Eu era pequeno e não tinha o controle dos meus movimentos. Aquilo era incrível... Muitas pessoas me observavam através de um vidro e uma mulher de mãos delicadas cuidava de mim. Agora eu estava limpo, embalado por panos quentinhos e estava mais calmo, a moça me levou para ver minha família. Eu estava me sentindo muito feliz, todos aqueles rostos emocionados me olhando e agradecendo pela minha chegada, eu estava sendo bem vindo e amado. Aprendi o que era amor.
Os dias que se sucederam foram calmos, eu era incumbido apenas de me desenvolver e amar. Meus pais eram doces comigo, eu não tinha irmãos e a casa era simples, mas muito aconchegante.
Conforme o tempo passava, eu ia perdendo o controle da minha mente, já não pensava mais como no dia em que nasci... Eu estava me tornando apenas um bebê e passava a aprender a balbuciar minhas primeiras palavras.
 - Querido, diga “MA-MÃ-EEEEE”
 - bAbAaaaaaaaaaaaa
 - Aaaaah que lindo filhote!
Eu me sentia um herói.
Com um pouco mais de tempo eu fui aprendendo outras coisas, como dar meus primeiros passos, fazer gracinhas, brincar com meus ursinhos... E quando eu sentia medo, ou me sentia só eu chorava e assim me colocavam de frente à TV e eu me acalmava vendo as imagens animadas que passavam naquela caixa preta estranha. Não entendia nada do que se passava, mas ali assimilava minhas primeiras mensagens.
Os meses iam se passando rapidamente nesse período. Eu me adaptava à vida humana facilmente. Me vestiam, me davam banho e eu me apegava cada vez mais aos meus pais e às minhas coisas. Estava vivendo.