quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Visita - Parte 7


A infância de Inácio foi rodeada de amor e aprendizados, era muito feliz com seus pais e seu cão, mas já estava completando cinco anos de vida e precisava frequentar a escola e conhecer outras crianças. Era seu primeiro desafio, ele estava ansioso para a experiência.
Tudo transcorreu tranquilamente nos anos escolares, ele era bem quisto pelas crianças e tinha uma grande facilidade em aprender as matérias e dominar as palavras.
Já estava um mocinho, crescido e admirado por suas ações. Ele era uma criança incomum e voluntariosa. Era o filhos que seus pais pediram aos céus... No entanto, Inácio sentia certa saudade e não sabia por que não se adequava às maldades humanas, sentia-se compelido a combater o mal e lutar pela justiça... Mas era só uma criança, tinha apenas 10 anos... Logo se tornaria um rapaz.
Ao entrar no colégio, em seu primeiro dia de aula no colegial, naquele dia sentia-se diferente. Sentia que o mundo aguardava por ele e ele precisava se mover. Sentia uma força maior que ele regendo seus pensamentos e suas atitudes, sentia-se bem. Nas primeiras aulas nem conseguia prestar atenção nos professores, ficava contemplando fixamente a janela... Olhando o céu que brilhava bravamente naquele dia. Era incrível o mundo, e naquele momento sentiu vontade de voar, pensava até que já havia voado em algum momento. Será?
No intervalo, sentou-se distante de todos para poder refrescar sua mente, apreciar o momento glorioso que estava vivendo... Era o melhor dia de sua vida, e não entendia o porquê. Estava tão feliz, com uma paz sobrenatural, a mente elevada pensava várias vezes em Deus. Até que Ele apareceu. Sim... Não foi nenhum acontecimento magnífico... Ele não desceu dos céus através de cavalos e luzes transcendentais nem fumaças incríveis. Não tinha barba e nem era uma versão Morgan Freeman dos cinemas. Não vestia aqueles vestidos brancos e as sandálias de tiras. Era apenas um homem (afinal, sua criação era imagem e semelhança)... mas um homem que transparecia paz, luz e harmonia. Agora Inácio sentia-se mais feliz ainda e tinha uma certeza, sabia que aquele homem era Deus, mas como? E por que Deus viria visita-lo?
Sentado ao lado do garoto que perto dele parecia uma formiga ao lado de uma montanha, Deus lhe deu um sorriso e ofereceu sua mão. Inácio segurou-a, e todas as suas dúvidas, perguntas e pensamentos sessaram e ambos foram transportados para outro local... Longe da escola, longe da cidade, longe da Terra... Não era o céu, nem o espaço. Não era lugar algum, o menino assustado sentia frios na espinha e uma vontade sem fim de rir, amar, cantar, gritar de felicidade. Ninguém iria acreditar nessa experiência. Deus olhando carinhosamente aquele filho seu, ria-se feliz de tê-lo trazido pra perto de si pelo menos por uns instantes, pois precisava avisar o que iria acontecer nos próximos anos.
Inácio aproximou-se de seu Pai que, em tom sério falou:
 - Inácio, você tem um propósito na Terra, precisa ter consciência de que seus atos refletirão sobre todos ao seu redor. Logo você começará a viver de verdade e eu quero que você tome cuidado. Você é especial meu filho e eu não quero que a maldade te corrompa. Caminhe sempre pelo lado da bondade e não desista de lutar. Logo saberá do que te falo.
O menino intrigado olha a Deus com os olhos questionadores de uma criança, e sem medo perguntou:
 - O que eu devo fazer? Quem sou eu? Sou de fato humano, ou sou diferente dos demais?
Deus olhou-o com carinho e respondeu:
 - Assim como os outros, você escolheu essa vida, com o seu livre arbítrio. Escolheu lutar na Terra e se dar para os humanos. Não difere em direitos dos meus outros filhos, porém possui uma individualidade única e quero preservar isso em você.
Em um gesto amoroso, Deus segurou as mãos do pequeno que caiu no sono profundo e acordou deitado no mesmo banco da escola de onde havia saído. Não lembrava o que havia acontecido, pensou ser um sonho lindo, mas sentia-se diferente e obstinado. Decidiu nunca contar a ninguém o que havia visto, era um segredo dele.