domingo, 18 de novembro de 2012

Fresta

E naquele instante, silêncio absoluto. Somente as vozes na minha cabeça, eu me entreguei ao brilho do sol que entrava pela janela de vidro. Os objetos, parados, iluminados, imóveis, coitados, me olhavam e se perguntavam completamente indignados o que eu fazia ali àquelas alturas. Nem eu mesma poderia respondê-los, ouvindo o buchicho intrigante do sofá com a televisão.
Mas eu sei que eu fui feliz. Somente por ver aquela luz radiante do sol. Iluminando meus parentes felizes no porta-retrato vermelho e a parede amarela que, sinceramente parecia deliciar-se com o calor da manhã.
Esclarecida eu refazia as conversas da noite anterior na minha cabeça, tentando fracassadamente me lembrar  de cada palavra. Eu, mesmo estando tranquila e feliz, sentia-me inquieta com algo que estava no ar e saudosa por alguém.
Amando, parece que as coisas ficam mais distantes porém distância nenhuma nos afeta. Eu era a rainha das manhãs de domingo. Eu estava feliz e muito bem acompanhada pelos meus queridos móveis falantes. Eles me torceram o nariz de primeira, mas depois me acolheram e me embalaram com suas canções, que me senti compelida a marcar esse dia. Inspirada. Apaixonada.