quarta-feira, 6 de março de 2013

Abstração da liberdade

Li no livro "Narrativas enviesadas" de Katia Canton, a seguinte frase: "Já dizia o crítico brasileiro Mario Pedrosa que 'a arte é o exercício experimental da liberdade'. É uma definição poderosa, sobretudo se considerarmos que o conceito de liberdade depende de um contexto para se definir."
Essa passagem me deixou de fato um tanto quanto encabulada. Foi aí que percebi que não tenho liberdade, pelo menos a liberdade que eu imaginava ter. Eu sou presa na minha mente, presa nos meus conceitos de criatividade, de aprendizado, de talento.... Esse tempo todo eu estudei pra ser artista, pois como diz meu professor de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo, "hoje o artista não pode começar do zero. Antes, quando um cara pintava uma tela aparecia um outro cara e estudava aquela tela e esse escrevia a conhecida história da arte. O artista fazia a história, agora nenhum artista é artista se antes não conhecer a história. Tudo invertido, primeiro se estuda depois se pinta".
Eu fiquei pensando... então os pintores de hoje em dia não são verdadeiramente "puros" como os da antiguidade? Ou não existem mais artistas de verdade? Como podemos afirmar que a arte não pode ser reinventada? Não podemos. Porque só teremos consciência do nosso período histórico, do "estilo artístico contemporâneo" daqui algumas décadas, ou até mesmo séculos, quando houverem historiadores que virão e reconhecerão os traços característicos desse período. É impossível dizer que existe já uma arte contemporânea, uma coisa extremamente moderna, porque a ramificação da arte se estende em tantos blocos, estilos, conceitos, formas, funções (tanto sociais quanto estéticas).
Na aula de Projeto, eu já até comentei em outra postagem aqui no blog, que nós trabalhamos o tema "Liberdade" e fizemos uma composição em cima dessa temática. Como vocês são ótimos de memória, aqui está o meu trabalhinho:


Vocês podem observar, eu inconscientemente fiz uma espécie de "prisão". Eu nem tinha percebido que, ao desenvolver o tema "liberdade" eu trabalhei em cima de uma base (e não de um eixo reto, 2D), e também trabalhei com ângulos, com formas retas e lineares. O que isso significa? Eu não tenho liberdade?.... Bem, até que eu tenho a minha liberdade, mas obviamente minha mente ainda permanece presa. Estou na busca pelo conhecimento, para libertar a minha mente, para esclarecer meus pensamentos e entender melhor minha própria natureza. É um processo difícil, liberar a criatividade, sair do comodismo do lado racional do cérebro, o lado direito e dar sinal verde para meu lado esquerdo, o lado criativo. E trabalhar sobre os meus pensamentos. Logo eu, que sempre pensei ter domínio dessa parte, me vi completamente fechada e introspecta. Logo, fomos redirecionados e orientados pelos professores e começamos a trabalhar em cima de uma nova liberdade, bem diferente daquela a que estávamos acomodados. O resultado foi esse:


Nas palavras do professor Lima Bueno: "a liberdade não pode ser angulosa, não pode ser pra baixo, não pode ser presa, a liberdade não tem bases fixas, não tem princípio, meio ou fim. A liberdade vem de dentro de nós e nasce pra ser completamente abstrata". Quando ouvi isso lembrei de outro trecho do livro da Katia Canton: "É certo que toda obra de arte é por si só uma abstração." 
Com isso em mente eu fiz essa pequena escultura (acima), e pensei o seguinte: Eu ainda não conquistei a liberdade que eu desejo, ela virá conforme minha mente e a própria sociedade permitir, então ela possui curvas, declives, lados, abstração. O professor avaliou meu trabalho e me disse que eu poderia ter abusado menos nas tiras de papel paraná, que o design poderia ter ficado mais limpo e suave, mas eu estou no caminho certo.