domingo, 2 de junho de 2013

Mente insana

Solidão por vezes fala alto, mas quando ela deseja, deseja profundamente e fala miúdo. E não repete. Fala baixinho, quase sussurra no ouvido, no pé do meu ouvido. Encosta no meu rosto, me encara e me espanca, lapida meus sentidos e me deixa jogada. De lado. Quase que deitada, de bruços.
Olho os cantos da casa, empoeirados, com teias de aranhas. Até as aranhas tem companhia... se reproduzem e se produzem umas para as outras, enlaçam moscas e antes de se fartarem batem um papo legal. Eu não ando lá de boas conversas, mas também não pararia a vaca ali do pasto para ter uma prosa. Me sento no chão, no meio da sala e observo a luz da noite, é quase 2h e eu estou contemplando, quando o certo era eu já estar na cama, descansando. Mas por quê? As luzes todas apagadas, escuto quem está dormindo, ressonando alto... chego até a sentir uma pontada de inveja delas. De suas facilidades em resolverem seus problemas e dormirem cedo, sem a cabeça doer.
Lembro-me de ter me sentido dessa maneira, encurralada (e até escorraçada) no começo do ano passado. Foram tempos difíceis e eu me metia em várias tretas. Sem pensar em nada quero voltar nesse tempo, onde tudo era mais fácil (mesmo eu achando que estava tudo uma grandiosa bosta). E estava mesmo, mas a bosta de agora é bem pior, ou em maior, ou os dois.
Encurralada e escorraçada. Na realidade, me sinto com aquela tensão pré-vestibular onde minhas costas doem, minha nuca, cabeça, olhos, braços... tudo dói. E é aí que tá. Eu já prestei vestibular, já passei, já to cursando, já tá tudo bem, mas as dores voltaram. E eu torno a perguntar: e por quê? Me vem uma resposta bem na ponta da língua, porém é indizível. Sei que tenho a língua ferina, mas tenho sido tão cortada ultimamente, tão calada, que é melhor realmente eu manter-me em silêncio... quem sabe as coisas não voltam para seus devidos lugares? Ou pelo menos essa sensação indescritível vá embora.
Pelo menos ainda posso dizer: aqui é a porra do meu blog e eu falo a merda que eu quiser. Que se fodam os moralistas preconceituosos e radicais. Não voltarão a me assustar, estou vacinada contra suas maledicências e suas maldades. Não tenho competência pra atingir muitas pessoas, mas não deixo que ninguém me atinja com seus ódios e seus venenos. Saiam daqui, saiam de mim.
Cansei, vou dormir.