domingo, 8 de setembro de 2013

Feriado nacional, contando histórias...

Não vou falar do simbolismo que todos conhecem do 7 de setembro. Vou falar de algo mais profundo e verdadeiro que a história do Brasil. Vou narrar agora um conto que foi vivido por dois espíritos mágicos há 8 séculos atrás:

"Contam os antigos que moram do outro lado da ponte, que em uma fazenda de fortes sementes e grandes árvores havia uma criatura mágica que cuidava das plantas e de uma casinha pequena onde morava, sua vida baseava-se no contato diário com a natureza e com a harmonia do universo, nisso essa criatura se agarrava e era com isso na cabeça que ia dormir todos os dias. Até que certo dia algo deu errado.
Em uma tarde de verão, quando ia à cidade, a criatura se deparou com um ser que a surpreendeu de todas as formas. Nunca havia visto ser como aquele antes, em nenhum de seus livros contava a história ou descrevia a possibilidade de existir algo como aquilo e foi com isso na cabeça que ela foi dormir.
Com a sua rotina modificada, a criatura se viu perdida e confusa, sem poder expressar seus sentimentos se sentiu engasgada e sufocada, tentava de todo modo entender o que havia de errado, ou o que havia de certo, ou o que nem havia naquilo tudo e sua resposta não chegava. Esse inverno não passava nunca. O frio lhe cortava os ossos e atravessava seu rosto como uma faca, era triste e solitário o que estava se passando. A colheita foi prejudicada, a casa virou de pernas pro ar, as plantas choravam com a ausência de espírito da criatura, cresceram-lhe longas barbas brancas que chegavam no umbigo e faziam uma curva na ponta, passou a ter pesadelos e a comer menos, e menos e menos. Uma triste figura formava a criatura de nossa história.
Mas, mesmo com o tenebroso inverno, sempre vem a primavera e com ela as flores. Sem poder reorganizar tudo sozinha, a criatura foi até a cidade em busca do ser que mudara sua vida, e o encontrou! O ser jazia na mesma tristeza que a criatura, sem forças e sem vontades, com medo e solitária, não negou que quando se encontraram naquele verão passado sua vida também mudara e não sabia se para pior ou para melhor, pois seu peito parecia murcho e sem vida, suas vestes, modos e etiquetas já não faziam sentido, a vida não fazia mais sentido. Quando foram juntos para a fazenda, foram andando e conversando, conheciam muito bem um ao outro... e nem se quer se davam conta disso. Aquela tarde primaveril de setembro foi maravilhosa, mágica e ficaria para sempre marcada
Os dias foram passando, os espíritos mágicos trabalharam juntos durantes meses até o fim do verão, no começo do outono as coisas estavam difíceis, mas juntos, Criatura e Ser, conseguiram sobreviver ao frio e seus medos os abandonaram. Suas vidas eram, agora, felizes e cheias de vida, de cheiro de flores, de café e chá quente, cheias de bons frutos e alegrias, poesias, músicas. Eram coisas simples mas que para os dois era tudo o que bastava. A Criatura e o Ser, juntos faziam mágicas e contavam histórias para as crianças, a união desses dois deixava no ar um cheiro de biscoito de vó que ninguém sabia de onde vinha, ou porque vinha, mas todos apreciavam com a mesma vontade e se encantavam ao ver que, mesmo depois de tantos invernos horríveis se mantinham fortes e unidos."
Uma história que não tem fim, mas o começo todos já conhecem bem: