sábado, 30 de novembro de 2013

Caminhos,

Os pés dela trilhavam caminhos desconhecidos e andavam como se o desconhecido não lhe desse medo. Eu seguia tentando distinguir o certo do errado naquela direção, mas tudo parecia tão bom que eu me esquecia até de usar sapatos.
A sensação dos meus pés tocando o solo puro e fértil era tão boa que eu me esqueci de cortar as unhas, e aparar a barba, e tomar banho, e comer, e dormir, e me esqueci de quem eu era. Por séculos. Ou foram dias? Minutos? Não me lembro mais.
Lembro apenas que eu sorria. Olhava o sol nascendo e sentia que ele entrava na minha pele, arrastava as minhas células e meus músculos eram rasgados, cortados em pedaços e isso era bom. Aquele som... que som era aquele? Que eu nunca mais ouvi igual, nem aqueles perfumes, que perfumes! E as cores? Nem se fala, cores indescritíveis, cores que não estão nas paletas de escolha para se pintar a casa. Cores que são o hors concours das telas dos maiores artistas do universo.
Você não entenderia nem se estivessem lá. Não saberiam a sensação de beber daquelas águas e olhar por aqueles olhos, e seguir aqueles passos, me arrastando para o começo... Maçãs, batuque, sono e lentidão...