sexta-feira, 9 de maio de 2014

Confidências do mês.

Tenho visto tanta notícia ruim no mundo por esses dias... Coisa que a gente escuta um falando, o outro comentando, todos ficam perplexos, mas no fim acabam levando suas vidas para a normalidade novamente. É o que todos fazem, é o que eu faço também, geralmente.
Andei pensando em qual seria a forma mais correta de curar o câncer social (violência/intolerância), obviamente não encontrei uma resposta certa, mas cheguei a algumas conclusões: - O mundo não está de ponta cabeça. Acontece que quanto mais "racional" a sociedade fica, mais cheia de si, cheia de certezas e prepotente ela fica. Virou a guerra de todos contra todos (como diria meu professor de antropologia). –A violência acontece quando as pessoas são influenciadas por idéias implantadas por uma camada da sociedade tida como “elite” ou por quem detém o poder social (políticos, apresentadores de tv, pessoas influentes). A resposta é antiga, sabemos que são formas de coerção social.
O que é coerção social? Vou responder: Nós temos 5 importantes métodos de coerção social-> o primeiro de todos é o lugar que nascemos, nossa família, o segundo é sempre o lugar onde somos alfabetizados e recebemos a maior parte da educação e instrução, as escolas (é o primeiro lugar onde geralmente somos inseridos em grupos sociais fora da família), o terceiro são as cadeias (o indivíduo que não se adequar aos parâmetros sociais impostos será trancafiado em uma jaula e lá será reeducado – geralmente esse método não funciona, o indivíduo quando retorna à vida social volta pior do que antes e é isso aí), o quarto são as mídias (informações que os cidadãos recebem e a forma que utilizam essa informação) e o quinto e mais esperado: as igrejas.
Para exemplificar vou montar uma estória e mostrar como funciona a vida na Terra e como você é preso e possui uma falsa sensação de liberdade. (para não depreciar a ideologia de ninguém, vou citar uma religião fictícia).

“Teodoro nasceu. Teodoro nasceu em um lar religioso. A primeira coisa que Teodoro aprendeu é que é certo ir ao culto ao deus Limão todas as noites de lua cheia. Teodoro não entendia o porquê de ser obrigado a fazer isso, mas sentia medo de desobedecer e virar suco do deus Limão. Ao completar certa idade, Teodoro foi alfabetizado e entrou para uma escola regular que ensinava conteúdos como a Geografia, a História, a Matemática, Filosofia etc. mas esses conteúdos eram limitados e nem sempre refletiam o que ele desejava estudar, mas ele continuava fazendo, porque diziam pra ele que se não estudasse, jamais seria alguém na vida. Na adolescência Teodoro experimentou maconha e foi pego portando mais do que a lei lhe permitia, passou a noite na cadeia. Quando chegou à vida adulta, sem sonhos, vontades, méritos e nada além de uma esposa infeliz, dois filhos feios e uma casinha pequena, ele assistia a novela e ria, chorava, comentava... no outro dia ia para o trabalho, cansado, fatigado, entediado.”

Provavelmente Teodoro morreu e ninguém ficou sabendo, sua vida foi controlada do começo ao fim, e mesmo ele tendo acesso à informação, nunca aprendeu a pensar por si, porque a força da sociedade é muito maior do que a de um único indivíduo. Por isso eu digo que eu sozinha nunca vou mudar o mundo, ou revolucionar a forma das pessoas pensarem. Mas entendi que a mudança precisa de um ponto de partida e esse ponto de partida deve ser sempre a nossa cabeça, nosso intelecto, nossas idéias, nossa moralidade, ética. É assim que se trata o câncer social.
Se você não está seguindo esses passos, então certamente está seguindo a massa, ouvindo o que dizem as mídias, deixando-se controlar pelos meios coercitivos que capam a vontade do ser humano de amar, ser livre, deixar o outro amar, deixar o outro ser livre. Se você oprime o direito do próximo de ser autêntico, você também sofrerá dessa repressão em qualquer momento.
Na sociedade racional a lei do “olho por olho, dente por dente” não deveria existir. A sociedade racional permite que quem julgue o certo do errado é a lei que tomamos como parâmetros, as legislações que consideramos corretas e que tornem a convivência mais simples e pacífica. Não é a igreja. Não é a televisão. Não é a Dona Maria do bar da esquina. Não é o Pedro lenhador do bosque.
Uma onda de violência tem repercutido no Brasil, um pessoal ignorante que se considera “justiceiro” tem matado e agredido, prendido em postes, violado, oprimido, ameaçado a segurança das pessoas de bem. A segurança das pessoas que só querem viver suas vidas. Isso atrapalha o andamento da sociedade.
Eu mesma não me sinto confortável quando ando na rua e um cara desconhecido mexe comigo, assovia, fala que “tem cara de brava, mas por baixo dessa roupa feia parece ser gostosa”, não me sinto feliz quando ouço esse tipo de coisa e quando ando sozinha na rua sempre me sinto paranoica, pensando que serei estuprada, que estão me perseguindo. E por que me sinto assim? Porque ouvimos todos os dias falar sobre a doença da sociedade. A violência. A maldade. Intolerância.


É por isso que eu só prego o amor e a paz.