segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Espanador

“É necessária uma revolução”. Ouvi essa frase dias atrás, quando assistia TV enquanto almoçava. Ao invés de por a mesa e comermos rodeadas pela família, naquele dia achamos melhor assistir o jornal. Foi uma escolha meio burra, aliás, seria melhor ter posto a mesa.
Essa tal revolução que nos falam, do que se trata? Eu não sei (não quero saber e tenho raiva de quem sabe). Se for revolucionar algo que sejam elas – as pessoas – as primeiras a mudares, daí faria sentido mudar política, governo, modelo monetário, sei lá, todos esses arquétipos sociais. 
Tem um homem na Secretaria onde faço o estágio que é o protótipo perfeito da impunidade, quando penso em revolução penso nele. Ele é um cara que deveria estar na cadeia, mas está em uma repartição pública. Quantas e quantas repartições públicas no Brasil não possuem sujeitos como esse? Dá arrepios só de pensar. Não me levem a mal, não estou propagando fofocas ou disseminando algo que eu suponho que seja verdade, não. Estou observando os fatos, documentados (por câmeras e erros documentais etc.). A questão é, conviver com pessoas dessa estirpe, com uma aura tão carregada tem me feito mal, mas eu tenho aprendido. Estou aprendendo a discernir o caráter das pessoas e vendo que existe sim maldade. Existe inveja (acima de qualquer coisa), existe a ganância, mentira, maldade e usufruto indevido de bens públicos. 
Neste ano, estagiando, aprendi que ou você sabe diferenciar o que é seu e o que não é, ou você é mais um filho da puta que rouba do povo brasileiro. Seja uma caneta, um grampo de papel, um xérox a mais, até um veículo, tanques de gasolina, blocos de papel A4... A lista é imensa e eu poderia passar a manhã toda somente digitando e listando os objetos que se tornam propriedade particular de quem os utiliza. O maior e pior dos casos, na secretaria onde trabalho, são os computadores, tratados como particulares, com imagens de plano de fundo da família nas últimas férias, facebook o dia todo, joguinhos, música, filmes, além do uso particular do maior resolvedor de problemas: o telefone. Ligações particulares o dia todo, é um absurdo. 
Quando se trabalha em uma iniciativa privada, você cuida de seus bens, por que você conhece a pessoa que paga por tudo aquilo e hora menos hora ela vai te cobrar se algo acontecer. Na iniciativa privada as pessoas não tem essa noção de desperdício. Tanto que a luz poderia ficar apagada e a luz natural do sol ser a iluminação principal. Existem detalhes assim, que eu penso ser de importância inominável. Eu penso que corrigir todas as pessoas seria praticamente impossível, o erro está incutido nos hábitos e no cotidiano de pessoas com esse tipo de atitude. O meu papel é ajudar, tenho feito o possível por isso, mas é broxante você agir conforme se espera em uma repartição pública e seus companheiros de serviço se espantarem com essa conduta. Mais broxante ainda é você trabalhar e usa seu computador apenas para esse objetivo e os outros não. 
Ser uma pessoa dupla deve ser uma missão difícil também, você precisa se afirmar o tempo todo como uma pessoa positivista e boa, sendo que na verdade que realmente o é, não precisa provar, a pessoa apenas transparece essa bondade em suas atitudes. Não precisa espalhar quantas bem-feitorias já fez ou não. Não suporto falsidade e falácia. Degradante ver como a iniquidade toma conta de pessoas inocentes.



Além do mais, o que irrita não somente a mim, como qualquer cidadão que precisa dos serviços públicos é tal da burocracia. Criação de arquivos e protocolos e papéis infindáveis, na maioria das vezes desnecessários. Juro, desnecessários. Se um dia vocês tiverem acesso irrestrito a algum tipo de arquivo público, parem pra ler os papéis... Tanta besteira que dá até nojo. Só servem para juntar poeira. Ninguém pode resolver seu problema, ninguém sabe te responder os procedimentos, ninguém conhece o real caminho dos movimentos de documentos importantes, ninguém sabe dar ordens, ninguém.
É desanimador você ter o seu primeiro trabalho fixo e ao se deparar com coisas do tipo, você percebe que pode ser assim em todos os lugares, até em setores privados. Não vejo um belo futuro para servidoria pública. Vejo somente os "jeitinhos" e "saidinhas" que seus funcionários fazem. 
O descalabro não para por aí, tem mais. Mas se eu for listar tudo aqui, vai a tarde toda.