segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O agouro de agosto

Escrito em 25 de agosto, 2014. 

Meia-noite e pouco...
O desespero da alma tem a voz baixa e trêmula. 
Quem vos disse que não sou digna de sua constante presença? Meu coração palpita como se fosse o próprio som do desespero e naqueles buracos cavados em fundação, meu sepultamento foi marcado. O choro e a vela, a terra e a morte, a vida e a felicidade, o amor e a dor... coisas intimamente ligadas, porém, sem seus significados dependentes.
Esqueci-me até mesmo das nuvens de outro dia e do que havia prometido há pouco tempo. Felizes daqueles amantes que não padecem no paraíso e não sofrem a perseguição. Felizes daqueles que sonham sem barreiras humanamente impostas, mas com a grandeza do universo. 
Ai! Queira eu tão solenemente despachar esses agouros e transitar por entre as verdejantes colunas de trepadeiras lacrimosas, que perfumam o caminho e tornam o amor derradeiro, instável, maluco. Lancinantes luzes me arrebatam.
Seria essa então a morte no abismo da alma? De que altura despenquei? Vinte vezes corri ao seu encontro, mil vezes tropecei, outras tantas eu errei, mas o que no final ficou foram as vezes que à ti me acheguei.
Fazendo do teu coração minha morada feliz e amistosa. Sentinela que me resguarda. Leprosos os que mantém longe de si essas vezes maravilhosas em que o amor se mostra puro e verdadeiro. 
Sabe-se que o amor confunde, mas nem tanto.