terça-feira, 25 de agosto de 2015

Enquanto corria minha barca.

Quem dera ela, de dores e valores, dona das próprias brigas. Tudo virado, pés e abalos. Quem é que entraria no jogo? Perguntas e desaforos. Não leve essas coisas pra casa, não leve pra dentro de si, feche os olhos e não, não mais. Dói.
Virei-me era eu novamente. Dor. Aonde estava? Por onde andaste, eu lírico, que me deixaste tão só e desabitada? E pra onde que te vais? Esvazia-me a mente e me entrega novemanete aos braços sangrados de cor e pavor dessa imensa casa chamada alma. Me dê o meu lugar, por favor. 
Peço com a educação de quem me criou. Viro-me e já está lá, aos apelos, grudada nos pelos, naqueles pelos viscerais. Desdemona? Cleópatra? Nefertite? Aonde estão meus batons, carmim, bordô, magenta... Aonde vão todas elas que me habitavam, aonde vão quando eu não as vejo? 
E a noite? Ela dói.
Dói aquela coisa profunda, animalesca e orgânica, me transforma subitamente em vegetal. Minha carne pulsa, toda ela é vida, vida-morta, já não pareço um ser, sou só poeiril, virgem e massacrada. Sou novamente recém-nascida. Agora, dessa forma, posso chorar, pois posso dormir, pois posso apenas olhar e sorrir e trazer a alegria, a pueiril alegria que deixei de ter lá pelos 20 e poucos. 
Grita, porra, abra as portas da casa e berre, corre no sereno, ruflem os tambores, ela vai saltitar em uma poça de lama sem medo de se emporcalhar, olhem, fotografem, ela vai andar descalça, vejam que inovador, ela sabe pular o muro. Quais bizarrices a aguardam nesse mundo, menina moça. Quantas páginas assombrosas irão acrescentar no seu percurso? 
Sobretudo, lembre-se: não se jogue, vire-se ao lado, coma-lo por completo (o medo), vire-o de cabeça para baixo, vire-se de costas para ele, ande na direção oposta, nade contra a corrente, seja além. Veja além. Queira além. 
Chore. Chore agora. Sinta. Sinta. Sinta. 
É dor? Dor de verdade? É ela? 
Que bom... vá dormir agora.